<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688</id><updated>2012-01-23T21:24:17.587-02:00</updated><title type='text'>Jorgin, O Maneiro</title><subtitle type='html'>Memórias e Improvisos de Um Acadêmico Frustrado</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>42</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-1594893381866130354</id><published>2012-01-23T21:18:00.004-02:00</published><updated>2012-01-23T21:24:17.594-02:00</updated><title type='text'>Pavio do Destino</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;As semanas seguiam terríveis para Armando, afinal de contas naturalmente ficou intimidado com todo aquele ensaio da cigana Julieta e sua alma passou a enxergar tudo a sua volta com lentes que filtravam o receio e a desconfiança, um novo prisma cheio de austeridade. Para quem recusava as informações das palmas de suas mãos, Armando se mostrou ser um crente fervoroso, assumidamente fiel à ideia de que aquela seria a sua realidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;De dia sentia a perseguição do sol, pela noite era a lua, como dois holofotes que trabalhavam em regime de turnos, mas jamais sem dar tréguas. Os astros reis ficaram sacanas demais de repente, contavam os passos de Armando regressivamente, de modo que o último passo seria o passo número um, no zero já não haveria uma alma naquele corpo, um relógio ambulante programado para parar assim que chegasse a sua hora. Além de contarem seus passos regressivamente, quando se encontravam no entardecer alaranjado, quase cor de rosa, ambos amedrontavam Armando e riam entre eles, vendo-o nitidamente com olhar vago pelas ruas, aparentemente aéreo, mas com seu íntimo desiludido com tudo que virá. Cada dia que o passava o rei sol tornava sua sombra reduzida, ficando cada vez mais magra e mais magra até chegar o dia em que esvaecerá, de fato o pavio do seu destino.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Em relação às outras pessoas que morrem, pode-se pensar que Armando estava um passo à frente delas, pois sentia que ia morrer e ainda possuía o vigor juvenil. Poderia desfrutar os prazeres, comer sem pecado, reconciliar e perdoar mágoas do passado, dizer e fazer o que quiser sem falsos moralismos, talvez realizar grandes compras sabendo que jamais pagará, declarar-se para quem queria, trepar com todas as mulheres que pudera, enfim, tudo que vier à tona. Esse também era o pensamento de Armando, mas no fim das contas, seus passos já estavam contados nas centenas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;São dez para as seis dia de domingo, acorda tímido e amarelado como de costume, liga o rádio, toma um banho gelado para despertar, bebe o resto do leite daquela semana, e do nada, ironicamente, decide correr como se suas pernas tomassem vida própria e quisessem fugir do seu corpo, soltas. Os astros reis pregaram uma peça, o triste fim de Armando quando esse havia montado um arsenal para começar a deixar sua marca. Na gaveta suas poesias e contos, jamais publicados e que descreviam personalidades aparentemente corajosas, porém, no fundo, com uma busca contínua por frustrações, realismos e poucas esperanças. Um cassete com oito composições de sambas nostálgicos, com uma melodia que parecia mais uma oração aos deuses. Mas lugar de poesia é na calçada e lugar de música é no rádio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Seu triste fim sem nenhum legado, sem nenhum cristão na via láctea para lembrar sua passagem pela Terra, sem conquistas, sem heranças e sem memórias. Entretanto atrás das pompas daquele ser abatido e sem sal na moleirinha aos olhos alheios, havia um herói grego jamais revelado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Armando não deveria morrer sabendo ao menos onde poderia chegar? E se esse foi o seu máximo?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-1594893381866130354?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/1594893381866130354/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2012/01/pavio-do-destino.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/1594893381866130354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/1594893381866130354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2012/01/pavio-do-destino.html' title='Pavio do Destino'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-3607479881689699457</id><published>2011-12-14T18:00:00.005-02:00</published><updated>2011-12-14T20:57:55.555-02:00</updated><title type='text'>Não É Só Mais Um Conto de Natal (Parte 1)</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Caminhava em passos longos, olhando para todos os lados inclusive para trás. Foi assim durante toda a última semana de dezembro, mas de nada adiantou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Os ciganos acabaram de chegar à cidade, como era de costume no final dos anos. Previam o futuro e havia apresentações de animais exóticos e até alguns espetáculos circenses em troca de dinheiro ou qualquer objeto de valor. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;Armando gostava desses dias, todo final de ano esquecia-se dos seus problemas por se entrelaçar dentre as pernas da cigana Julieta, assim como ocorrera nos últimos cinco anos. Todavia esse ano foi um pouco diferente. Depois de culminar o coito, a cigana Julieta deitou sobre o peito de Armando, pegou a mão direita do rapaz e intuitivamente começou a ler, não que ele havia pedido ou permitido e nem que ela o fez intencionalmente, apenas aconteceu. A verdade é que Armando era cético demais quanto a qualquer espécie de previsão, inclusive a dos economistas quanto às taxas de juros e tendência das bolsas de valores pelo mundo, e até mesmo cético em relação aos meteorologistas e comentaristas futebolísticos. Após ler sua mão a cigana Julieta fez uma cara de susto levantando as sobrancelhas, mas não disse nada. Como curioso nato Armando perguntou do que se tratava e a cigana respondeu com seriedade:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;- Preciso usar métodos mais ortodoxos para confirmar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Armando riu pensando ser mais uma piadinha sarcástica quanto ao seu ceticismo, mas não era.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;- Tudo bem então, hoje você pode ler tudo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Julieta se levantou, colocou seu vestido rodado, sua sandália, suas pulseiras de contas e colares e brincos, amarrou os longos cabelos negros, saiu com um pé e voltou com o outro, segurando uma caixa de madeira. Sentou por cima das suas pernas e pediu para Armando fazer o mesmo de frente para ela. Tornou a olhar sua mão, mas sem demonstrar nenhuma emoção desta vez. Retirou as cartas de tarô e fez suas previsões. Jogou os búzios, leu o quiroga, consultou os astros, viu na bola de cristal e tudo mais. O resultado era sempre o mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;- E aí Julieta, do que se trata? – Armando perguntou já um pouco preocupado pela ausência de expressões.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;- Não consigo achar outra palavra para descrever tudo o que vi em seu futuro a não ser merda – Julieta continuou sem expressão – Venha, ponha-se de pé e descalço na terra batida e me dê sua mão direita.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Assim Armando fez.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Julieta também ficou de pé e descalça. Pegou um ramalhete de oliveira com a mão direita e segurou a mão de Armando com sua outra mão. Pisou a ponta dos seus pés nos pés de Armando e começou a olhar nos olhos dele. Armando nunca tinha visto isso e não sabia qual era a intenção, seus batimentos aceleraram ao perceber que a cigana Julieta estava numa espécie de transe. Boca aberta, como se os músculos daquela região tivessem relaxados e olhos que vibravam aleatoriamente,&amp;nbsp;mas sem perder o foco.&amp;nbsp;Enquanto começava a doer o aperto de mão e a pressão dos pés da cigana sobre seus pés,&amp;nbsp;o ramalhete de oliveira que balançava como se estivesse varrendo a terra, antes verde e forte como um cipó de goiabeira bem aguado, ficou seco e frágil. Ao cair as primeiras folhas Julieta despertou daquele estado:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;- Desculpa Armando, não posso fazer mais isso. Nada pode mudar o que está para acontecer. É melhor que não nos vejamos mais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-3607479881689699457?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/3607479881689699457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/12/nao-e-so-mais-um-conto-de-natal-parte-1.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/3607479881689699457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/3607479881689699457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/12/nao-e-so-mais-um-conto-de-natal-parte-1.html' title='Não É Só Mais Um Conto de Natal (Parte 1)'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-5598903103457215926</id><published>2011-12-05T01:08:00.000-02:00</published><updated>2011-12-05T01:08:01.177-02:00</updated><title type='text'>Cem Anos de Solidão</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  Dona Lalinha não sabia mais o que fazer. Elias Prudente nunca deixava as coisas no lugar certo, trocava tudo de posição. Lá em seu pensionato, naquela semana depois que Elias e Selena confirmaram o romance, notou que ele estava com a cabeça a mil, todo confuso com as coisas ao seu redor e confundindo tudo mais ainda. Não sabia que espécie de delírio era aquele e nem como abordar o jovem para tomar caso da situação, pois realmente naquele pensionato estava tudo de ponta cabeça.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Na verdade, não se passava de um mal entendido de Dona Lalinha. Elias Prudente só estava meio desatento e um pouco paranóico com as mudanças de sua vida. Sem perceber e sem intenção alguma, saía substituindo as coisas de lugar, sendo que sempre em uma de suas mãos havia no mínimo um objeto preso aos seus dedos. Objetos comuns, mas estranhamente localizados. Naquele dia Elias Prudente saiu do seu quarto segurando uma escova de dente e se dirigiu até a cozinha. Abriu a geladeira, pegou um vaso de água e deixou a escova no lugar dele. Foi até ao armário com copos, encheu um deles para beber e deixou o vaso no lugar dos copos. Entrou no banheiro ainda com o copo na mão e saiu de lá segurando o condicionador, evidentemente deixando o copo na posição do sabonete, o sabonete na do shampo e esse último no lugar do condicionador. Foi trocar de roupa deixando as sujas no lugar das limpas, a toalha no lugar do pente e saiu do quarto com segurando este último. Depois de uma semana o pensionato de Dona Lalinha estava revirado. Havia chaves de fenda no lugar dos talheres, talher no lugar do controle remoto, controle remoto na caixa de ferramentas e etc.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O fato é que Dona Lalinha, em quase vinte anos de pensionato, jamais destratou nenhum de seus inquilinos e que Elias Prudente para ela não se enquadrava mais nessa classificação. Apesar do relativo curto período de convivência, Elias Prudente deu vida à velha senhora solitária, se tornou quase o filho que ela nunca teve. O sobrado cinzento havia tomado uma vida própria, até mesmo por estar sempre de pernas para o ar. O ar estava rejuvenescido, com um cheiro de terra molhada, as paredes com as pinturas descascadas tomaram cores novas por iniciativa de Elias e aqueles cômodos guardavam agora pendurado por pregos, dois quadros com pinturas de um artista estanciano e um LP Alucinação de Belchior emoldurado. Era, definitivamente, outro lugar. E Dona Lalinha era definitivamente outra pessoa, não mais aquela senhora cujo espírito neutro, morno e cinza consumia o resto dos anos que seguiam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  O alvoroço de Elias e a inquietude de Dona Lalinha estavam com os dias contados já que o jovem decidiu seguir uns amigos bolivianos até as terras banhadas pelo pacífico, lá no Chile. Não havia um propósito específico, essa é uma peculiaridade de Elias, apenas experimentar tudo aquilo que pode ser experimentado. Foi duro se despedir de Selena, mas não impossível. Selena era a mulher de sua vida e ele o homem da vida dela, mas Elias é incapaz de ser constate, seu vórtice central definidor dos caminhos é impulsivo e autoritário, não havia outra opção a não ser seguir com a promessa de um dia voltar, assim mesmo, num tempo indeterminado. Deixou com Selena o livro Cem Anos de Solidão de Gabriel García Márquez, na contracapa uma dedicatória intrigante com a última sentença do livro: “...por que as estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham uma segunda oportunidade sobre a terra”. A moça segurou firme a obra, chorou um pouco sobre seu cangote sentindo pela última vez seu cheiro abarrotado de vida e deu um último beijo. Não disse uma palavra sequer. Quando deu as costas andou seis passos, parou um pouco e virou o seu corpo magro, mirou seus olhos grandes e negros nos olhos de Elias Prudente, sorriu levemente e voltou para o seu caminho. Elias prudente entendeu com facilidade aquele gesto sincero:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;– Eu também – falou calmamente retribuindo o sorriso e os olhos úmidos. Aquele olhar era o mais realista de todos os “eu te amo” que alguém jamais dissera e no leito de sua morte vai lembrar também que foi o único da sua vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  Selena não tremulou, andou firmemente com passos invariáveis e cabeça erguida. Jurou pela sua alma que só terminaria de ler aquele livro quando visse Elias Prudente novamente, de modo que no início lia um parágrafo diariamente, depois passou a ler uma frase por dia, depois uma palavra e por fim uma sílaba. Morreu jovem, linda, coração cheio de esperanças, mas jamais soube o desfecho da família Buendía.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;À primeira vista Dona Lalinha não sentiu nada quando Elias se despediu, até agradeceu um pouco a Deus porque finalmente conseguiria colocar as coisas em seu devido lugar. Com o passar dos dias, o pensionato ficou tinindo, um brinco, tudo em ordem. Mas apesar de terem várias outras pessoas morando lá, ficou vazio. Dona Lalinha voltou a ser aquele ser neutro com recusa de envelhecer. O pensionato mesmo com todos os cuidados, parecia abandonado. Quanto mais Dona Lalinha limpava tudo, as teias de aranha insistiam em aparecer sobre o jardim e os cantos dos cômodos, a poeira entrava mesmo com a porta trancada, a tinta da parede se espedaçava velozmente, nos dias de chuva mais e mais goteiras surgiam, as roseiras insistiam em morrer apesar de ter diariamente boa terra adubada e água. Nos dias de maiores agonias cantava sozinha as músicas do rei Roberto Carlos e depois passou a cantar eternamente, cada vez mais baixo e mais baixo e mais baixo, até o dia em que seu último suspiro saiu com o refrão de uma de suas canções do tempo da jovem guarda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  Elias Prudente do Chile percorreu outros países latinos chegando até o México e depois voltou, sempre acompanhado, mas solitário. Tentou vender sua alma ao diabo a fim de assumir a vitória sobre as forças que controlam seu temperamento neologista e voltar para os braços de Selena, mas esta já havia morrido. Se transformou numa sombra magra, velha, rancorosa, flácida, pálida, indigente e sozinha porque recusou o amor da sua vida. Morreu seu pestanejar, já tinha escolhido seu réquiem, seu concerto fúnebre e torcia para chegar o quanto antes esse dia. Seu leito era apenas a amargurada entregue aos seus cem anos de solidão e a memória de quando Selena disse “eu te amo” sem pronunciar uma palavra.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-5598903103457215926?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/5598903103457215926/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/12/cem-anos-de-solidao.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/5598903103457215926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/5598903103457215926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/12/cem-anos-de-solidao.html' title='Cem Anos de Solidão'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-3459685642492852666</id><published>2011-11-18T17:57:00.003-02:00</published><updated>2011-11-24T11:46:58.015-02:00</updated><title type='text'>Aquela Moça</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Um guarda-chuva laranja no céu prateado, e o sol escondido dentre as nuvens a lhe vigiar. Era assim por onde passava e sua presença não permitia outro assunto. Para quê tanta lindeza num ser só? Cada vez que aparecia renovava as desilusões de Elias Prudente, que desde que saíra da república soteropolitana aprendeu a conviver consigo mesmo num pensionato barato, alternando e integrando os desafios de sua mente maliciosa e gentil ao mesmo tempo, sempre invocado como aquela presença o atraía.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Todos os dias, às seis e meia da noite Selena caminhava na orla. Para ela era um meio de manter corpo e mente em equilíbrio, além do mais, adorava aparecer e despertar olhares taciturnos, não que fosse leviano da sua parte, mas só assim sentia-se mais viva. Por onde ela passava, deixava o ar impregnado com o odor do desejo por ser um misto elegante de personalidade aparentemente ingênua e uma face, que rosto assim só Deus para lapidar, citrina, com olhos escuros e melancólicos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Na prosa Elias Prudente com seu temperamento impulsivo conseguiu reduzir a distância, sem medo de submeter-se ao ridículo. Não durou muito tempo para que começassem a caminhar juntos. Quando ele pegou na mão de Selena pela primeira vez – para devolver uma caneta que acabou de cair, percebeu que não era apenas a sua mão que estava suada. Selena passou a caminhar por duas horas e não mais uma como era de praxe.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;– Preciso caminhar mais, Elias. Na universidade as coisas não estão empolgando e só assim para me distrair.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;– Um bom pretexto – foi assim que ele respondeu com um sorriso no canto da boca, já prevendo os outros dias que viriam. Não precisava de nenhum baralho para prever o futuro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Enquanto a face de Selena se tornava avermelhada, procurando em sua mente uma maneira de reerguer a cabeça com altivez e desfazer do pensamento correto e constrangedor de Elias Prudente, o rapaz foi mais rápido e incisivo:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;– Não se assuste, não é a primeira vez que uma mulher fica louca por um homem – disse isso numa voz decidida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Desarmou completamente a jovem garota, que em vez de replicar o comentário, preferiu esconder a timidez e se despedir, na tentativa de despistar o seu coração e o de Elias, naturalmente.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Se Selena ainda tinha dúvidas, elas foram mortas agora, pois as borboletas surgiam em todos os lugares sempre que pensava no rapaz. Para Selena esse era seu pior defeito e sua melhor qualidade: “Elias Prudente diz sempre o que não deveria dizer”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-3459685642492852666?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/3459685642492852666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/11/aquela-moca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/3459685642492852666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/3459685642492852666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/11/aquela-moca.html' title='Aquela Moça'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-2732680970716873566</id><published>2011-11-15T02:44:00.001-02:00</published><updated>2011-11-24T11:47:38.463-02:00</updated><title type='text'>O Primeiro Dia De Elias Prudente</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Enfim chegou o outono, a estação preferida de Elias Prudente, que de prudente mesmo só tinha o sobrenome. Nem fria, nem quente, nem colorida, apenas bela como a tristeza.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Saíram todos dos quartos por volta das onze da manhã com cara de ressaca devido a bebedeira da noite anterior e se dirigiram até a Praça no meio do apartamento. Era assim que eles tratavam o espaço da sala. Marcaram traves do tamanho de quatro palmos com chinelos, dividiram as duplas e iniciaram a seqüência de partidas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Era um bando de pernas-de-pau na verdade, mas o futebol confinado especialmente na Praça dava a sensação de que aquela era a melhor carreira do mundo, melhor até do que serem músicos como eram. E depois do futebol comiam qualquer coisa que achavam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Atrás da porta, pendurado na maçaneta, havia um saquinho de couro liso de cabra onde o dinheiro de todos era guardado e usado por todos, sem pedir permissão ou dar explicações. Não era muito dinheiro, mas quase sempre dava para o essencial: comida e maconha. Ocasionalmente alguém gritava: “Pessoal, comida ou fumo?”, e a resposta coletiva soava com vigor: “Fumo!”. &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Depois de fumar começavam a compor, tocar, cantar, dançar e rir como a Bahia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Assim foi nos quatro anos de duração daquela república mista soteropolitana de sete pessoas. Três quartos – sendo um deles exclusivo ao mestre Carlos Cachaça –, uma cozinha, dois banheiros e uma Praça.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Carlos Cachaça era o filósofo, apesar de abominar esse título. Gostava de discutir as coisas deste mundo e de outros mundos, sobretudo no que diz respeito às almas alheias, pois a sua estava vendida a uma divindade feminina e desumana ao mesmo tempo. Lia o tempo todo, conhecia as mais diversas teorias e linhas de pensamento filosófico, porém não eram os livros e seu conhecimento que o deixara com o ar de austeridade, era apenas a ausência de sua alma que dava o tom severo à sua face. Mesmo não sendo o mais velho, era o mestre e tinha um espaço exclusivo, ninguém entrava e todos respeitavam. Elias Prudente era, de um certo modo, seu discípulo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Para contrariar os cosmos Elias Prudente andava distante das linhas de suas mãos. Seu temperamento impulsivo e corajoso não permitia plano e tampouco medo. Entretanto tinha aversão à morte, pois desde que conheceu os prazeres de uma mulher entendeu porque os homens têm medo de morrer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;“Cadê a seda? Alguém viu a seda?”, Eugênia Leão, a Geninha, perguntou a todos. “Usei a última ontem” alguém gritou de outro quarto. Carlos Cachaça, que não tinha apego a nada material ou espiritual, convenceu a todos a usar as folhas da bíblia. Eram fininhas, pouca tinta e havia uma porção delas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Começaram pelos primeiros livros do antigo testamento. Enquanto fumavam, Carlos Cachaça divagava sobre as escrituras hebraicas, a origem do mundo sob a perspectiva criacionista e sobre a relação de Deus com o povo isralita. Foram para os livros seguintes, os proféticos, os salmos e outros mais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Em pouco tempo aquela bíblia se tornou fininha. Havia restado somente o Apocalipse e, mesmo sendo todos ateus, evitavam usar aquelas folhas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Naquele dia Carlos Cachaça rasgou a primeira página sem fazer cerimônia, e os outros foram automaticamente para a roda no meio da Praça. Todos exceto Elias Prudente, que observava de longe e com desdém o seu mestre e amigos. Pela primeira vez sentiu medo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Ignorou a todos, foi até seu quarto, pegou seu pequeno punhado de roupas e colocou numa bolsa. Abriu a porta, todos olharam para ele: “Para aonde vai?” foi o que Carlos Cachaça perguntou. “Se der sorte, seguir em frente” foi a resposta que todos ouviram.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Aos filhos de João,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;De Jorgin, O Maneiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-2732680970716873566?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/2732680970716873566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/11/o-primeiro-dia-de-elias-prudente.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/2732680970716873566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/2732680970716873566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/11/o-primeiro-dia-de-elias-prudente.html' title='O Primeiro Dia De Elias Prudente'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-3061765231527508169</id><published>2011-11-02T23:39:00.005-02:00</published><updated>2011-11-24T11:48:26.885-02:00</updated><title type='text'>Verão de 2008</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Observador detalhista e matuto que é, às vezes deparava-se com pessoas e seus movimentos, gestos, faces, vozes, roupas e as julgava. Imediatamente julgava. Por mais que o bom senso seja contrário a esse tipo de atitude, Nelson vê apenas ironia. Não se pode ir contra a natureza humana, e essa natureza é falha. O bom senso representa apenas o que os humanos querem demonstrar o que são e não o que de fato são. Ele é honesto o bastante para admitir isso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Ainda jovem e viril, Nelson pensava apenas na sua morte – ou melhor, o que levaria consigo. Para ele, quando vamos embora deixamos tudo, exceto uma lembrança. Conforme suas leis divinas apenas uma memória deve estar afiada na mente. E esta ele já tinha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Durante as férias a família Gonçalves fora visitar parentes distantes no interior de Pernambuco, à margem do Velho Chico, como já era de costume. Uma confraternização foi preparada, nela estavam presentes, além de parentes, os amigos. Estes, curiosamente Nelson jamais tivera conhecido. Agora, em sua juventude, tem uma porção de amizades, e pensa que será assim até o fim dos dias. Seus pais também poderiam pensar assim naquela época, mas hoje Nelson os vêem apenas com os vizinhos da rua em que moram, os colegas de trabalho e os do clube. Amigos mesmo, nenhum.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O Sr. Gonçalves, já depois de muitas cervejas, veio abraçado a um sujeito curioso.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;“Nelson, quero que conheça Sebastião. Esse aí é um charlatão, meu melhor amigo de infância.” Risos foram disparados pelos dois para todos os lados, enquanto o braço de um ainda estava sob o ombro do outro, passando por trás da nuca.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Nelson colocou-se de pé, sorriu timidamente, apertou a mão de Sebastião e sentou. Ora, ainda sóbrio naturalmente essa interação social seria impossível para o jovem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Enquanto apreciava a cerveja, seus olhos voltaram a espreitar todos. Quando passou por Sebastião, seus olhares colidiram e ambos desviaram sincronizadamente, como ocorre conosco todos os dias. Nelson queria conhecer mais aquela figura, o melhor amigo do seu pai. Um homem de ar vadio, descuidado no vestir e com uma barba selvagem, óculos, tira de couro no pulso direito e um par de piriquitinha nos pés. “Um sujeito curioso”, ele pensou. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Como observador desatento, sempre era pego visto olhando para Sebastião e vice-versa, até que o constrangimento de Nelson absorveu uma dimensão grandiosa. “Puta merda, por que será que ele tanto olha pra mim?”. Nesse meio tempo Nelson pensou muita coisa. Sebastião gostaria de conhecer o filho de seu melhor amigo de infância? Ao perceber ser observado, Sebastião desconfiado passou também a observar? Sebastião estava olhando para alguém perto de Nelson e a distância não permitia direcionar o foco daquele olhar? Sebastião é gay?!?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Enquanto o tempo passava a cerveja acabava, pessoas iam embora, os mais dispersos iam se aproximando e interagindo, até que se formou apenas uma mesa com seis pessoas dispostas quase de um modo organizado. Sebastião se acomodou ao lado de Nelson e aquilo o consumiu. “Caralho!”, seu cérebro retrucou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Apesar do consumo de álcool, Nelson estava encabulado com a situação. Levantou-se para ir ao banheiro como uma forma de desculpa para se retirar do local e ao mesmo tempo, poupar-se do constrangimento. Sebastião também se levantou e o acompanhou em seguida. “Ferrou!!!”, falou bem baixinho consigo mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Antes de entrar no banheiro Nelson girou o corpo e o encarou. “Algum problema amigo?”. Sebastião sorriu e disse: “Calma. Calma, rapaz. Nada não”, ainda rindo Sebastião continuou, “Vi que estava olhando para mim o tempo todo, você também percebeu?”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Nelson ficou estático, o sangue teria evacuado da cabeça. “O que? Do que está falando?”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Sem deixar de contrair o sorriso dos lábios, Sebastião assumiu: “Muito prazer, eu sou você amanhã.”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-3061765231527508169?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/3061765231527508169/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/11/verao-de-2008.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/3061765231527508169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/3061765231527508169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/11/verao-de-2008.html' title='Verão de 2008'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-9150810091181306029</id><published>2011-10-07T00:08:00.005-03:00</published><updated>2011-11-24T11:49:03.386-02:00</updated><title type='text'>Sangue Latino</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Duas coisas provocam em mim bastante nostalgia. A primeira é o barulho da locomotiva passando nas madrugadas em direção à capital, a segunda&amp;nbsp;é o latido dos cães ao anoitecer. Ambas recordam minha infância, o tempo que havia sonhos e esperanças. Hoje não mais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Depois de tantos anos de trabalho é bom perceber que perdi os traçados das mãos, é bonito andar firme longe deles, como navegar e sempre mudar a direção do leme, desviando de recifes, rochas, sem saber onde vou chegar, mas nunca parar ou voltar. Sempre com o vento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Não sou um artista, muito menos visionário. Não vejo a arte mudar a história ou as pessoas, senão Picasso o teria feito. A arte são gritos de alegria, são uivos de dor. É tentar aproximar o homem do céu ou inferno. Não sou um artista, definitivamente não, mas pode me considerar um neólogo. Isso, neólogo. Gosto do novo, quero o novo. Perco virgindades a todo o momento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Pergunto o que ficou dos meus bisavós em mim, dos meus avós e pais. Além do novo, só o que importa é ser a soma dos meus ancestrais, não a sombra deles. Suas toneladas de histórias arrancam meus pés da Terra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Apesar de ser um pessimista por natureza, aprecio o impulso, a paciência e o riso. Esse meu temperamento latino é fogo (risos). Sou feliz? Não. Desde quando sorrir é ser feliz?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Um abraço para Felipe Ehrenberg.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-9150810091181306029?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/9150810091181306029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/10/sangue-latino.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/9150810091181306029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/9150810091181306029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/10/sangue-latino.html' title='Sangue Latino'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-4103895429995437489</id><published>2011-10-05T00:06:00.002-03:00</published><updated>2011-10-05T00:08:44.177-03:00</updated><title type='text'>Sem título #02</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Como é que pode alguém nascer compositor, um trabalhador dos versos, prosas e das coisas da vida, e depois de 55 anos nas costas, surgir certo doutor com aparência esnobe de 28, cabelo ao gel, estetoscópio&amp;nbsp;amarrado na nuca e determinar o que devo ou não fazer? Prefiro morrer com dignidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Carlos Cachaça, abril de 1987.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-4103895429995437489?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/4103895429995437489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/10/sem-titulo-02.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/4103895429995437489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/4103895429995437489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/10/sem-titulo-02.html' title='Sem título #02'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-9134240909564759849</id><published>2011-09-08T15:37:00.005-03:00</published><updated>2011-11-24T11:50:19.768-02:00</updated><title type='text'>Tonho Cabeleira</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Aquele foi o pior dia de sua vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Antônio, mais conhecido como Tonho Cabeleira, possuía um vasto aglomerado de fios castanhos sobre a sua cabeça. Cuidava deles como um aquariofilista experiente cuida de um cardume de peixes discus adultos, com toda a cautela possível.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Vários são os parâmetros que adotava em si tratar de qualificar e caracterizar seus cabelos. Tonho Cabeleira dormia com a cabeça pendurada pelo pescoço, utilizando um equipamento que ele mesmo criou para não danificar as estruturas capilares, curiosamente chamado de &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Fio&lt;/i&gt;. Pela manhã contava os fios que caiam naturalmente, deduzia fórmulas matemáticas por meio de derivadas para calcular as taxas de perda em relação a cada estação do ano. Traçou a árvore genealógica da família há cerca de dez anos atrás, a fim de identificar possíveis falhas genéticas hereditárias relacionadas à calvície. Não fumava, não bebia, consumia muita proteína, não se estressava. Sanção era fichinha para a excentricidade deste aquariano.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Naturalmente toda essa cautela provocava preocupação. Havia algo de errado em suas fórmulas, elas não expressavam a realidade porque existem muito mais variáveis do que as que ele usava. Ele não percebeu, mas sua vasta cabeleira estava por um fio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Todos notavam o a perca de fios no topo da sua nuca, mas ninguém tinha coragem revelar. O próprio subconsciente de Tonho Cabeleira notou, mas como Narciso acha estranho tudo aquilo que não é espelho, seu racionalismo deixou passar já que os números sempre foram otimistas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Acordou cedo, tomou banho, utilizou seu arsenal de xampus, condicionadores, cremes e loções. Secou, penteou, ajeitou pra lá, ajeitou pra cá. Colocou a roupa, tomou o café da manhã. Olhou o calendário e se excitou. Aquele era o dia do corte de cabelo semestral, que na verdade não passava de uma simples aparagem. Viajou para a capital, até o melhor cabeleireiro da redondeza. Embora seu horário previamente marcado fora no meio tarde, fez questão de chegar duas horas antecipadamente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Sentou na sala de espera, esperou e esperou. Enfim foi chamado para sua vez, provocando uma taquicardia ao ouvir o seu nome. Cumprimentou o profissional gabaritado, passou todas as instruções detalhadamente, tim-tim por tim-tim. O profissional utilizou seus melhores equipamentos e produtos, suas melhores técnicas, cumpriu com rigor todos os procedimentos definidos por Tonho Cabeleira. Pegou um espelho móvel a fim de exibir todo o resultado de sua performance, pois o iluminado espelho principal trazia apenas a imagem frontal. Ao mover a peça espelhada na direção do topo do crânio, Tonho entrou em pânico. Uma clareira brilhante e amarelada sorriu para ele como um &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;smile&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Naquele mesmo dia Tonho Cabeleira morre pelo seu próprio &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Fio&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-9134240909564759849?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/9134240909564759849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/09/tonho-cabeleira.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/9134240909564759849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/9134240909564759849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/09/tonho-cabeleira.html' title='Tonho Cabeleira'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-5391104837371543079</id><published>2011-07-13T17:30:00.003-03:00</published><updated>2011-11-24T11:50:49.530-02:00</updated><title type='text'>A valsa</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;A lua entrou sem pedir licença. Esta noite será decisiva para Amaral, afinal de contas o baile se aproxima e terá que passar na casa de Cecília, sob a supervisão Agostino, o pai da moça, e conduzi-la até o salão. Amaral não sabe dançar e revela em seus pensamentos mais profundos um encantamento pela jovem. O que as próximas horas guardam?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Amaral martela o tempo com o pé direito, pensando nos contratempos possíveis, na condução, nos passos, na posição das mãos. Seu coração disparava nas taquicardias repentinas, suas mãos suadas também expõe seu nervosismo. “Será um fracasso, Amaral”, uma voz tremulava repetidamente na sua cabeça. Mas não tinha volta. Só se sabe o gosto doce do mel porque alguém experimentou. Amaral vai até o fim, definitivamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Em passos lentos se aproxima da porta e bate no número 502. Três batidas: &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;toc toc toc&lt;/i&gt;. Olha desesperadamente para o relógio enquanto espera uma resposta. Ouve passos se aproximando por trás da porta. Agostino abre a porta, convida seriamente Amaral para entrar e sentar-se na sala principal da sala para esperar por Cecília. Ele entra, senta, circula os olhos no ambiente. O silêncio constrangedor domina a atmosfera. Por duas vezes cogitou puxar assunto com Agostino, mas não queria perder tempo falando do tempo ou do clima para os próximos dias, preferiu aguardar silenciosamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Finalmente ouve os passos de Cecília descendo as escadas. A taquicardia volta, o suor reaparece, desta vez dominando mais partes do corpo além das mãos. Inclina seu tronco e visualiza ela, esbelta, e uma paz domina seu semblante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;- Boa noite Amaral, desculpa a demora. Vamos?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Cada minuto de espera foi recompensado, esperaria por horas se fosse preciso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Saíram silenciosamente sob passos ritmados, olharam um para o outro e sorriram com o canto da boca. Amaral puxa do bolso interno de seu paletó um pequeno punhado de flor de Ypê Amarelo, Cecília ri – ela ama flores, especialmente o Ypê por ser tão robusto e esplendoroso quando florido – segura o punhado com a mão esquerda e com a direita segura a mão de Amaral. Internamente Amaral grita e chacoalha sua cabeleira penteada, mas resume sua excitação beijando a face da mão dela. No fundo, caro leitor, você sabe como isso é legal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;A orquestra já havia iniciado as canções e Cecília não escondeu o desejo de dançar. Amaral sente um pouco de pavor, mas também se sente livre e revela seu íntimo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Ela entendeu e o conduziu na valsa. Mesmo sem jeito, acreditou. Cada vez que girava, sua perna sentia uma agonia, mas de passo em passo que dava enchia o peito de esperança. Amaral gostaria de congelar o tempo, tudo em seu campo de visão havia sumido, a não ser o salão, ele e Cecília. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;“Só sei dançar com você, isso é o que o amor faz”, outra vez titubeou a voz em sua mente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Raros são aqueles que têm o amar até no nome.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-5391104837371543079?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/5391104837371543079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/07/valsa.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/5391104837371543079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/5391104837371543079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/07/valsa.html' title='A valsa'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-8647098103343848064</id><published>2011-06-29T05:31:00.006-03:00</published><updated>2011-11-24T11:51:24.536-02:00</updated><title type='text'>O Bunda</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Sentava-se sempre ao fundo, nas últimas carteiras da sala de aula enquanto criança. Não era mudo, mas não conheciam sua voz. Sempre alerta, um observador nato, passivo, detalhista. Evitava sempre contato direto com pessoas, evitava interferir nos fatos e interagir com objetos. Esse era O Bunda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Diferentemente do voyeurismo, onde existe um agente observador de facetas erotizadas afim da auto-satisfação sexual, O Bunda não focava no erótico, na verdade achava infortúnio encontrar indivíduos copulando quando circulava os prédios vizinhos com seus binóculos. Ele era minucioso, buscava movimentos e sons que pudesse comparar. Não queria ver ação, apenas situações habituais. Nas praças, bares, corredores, se aproximava sempre dos fumantes. Apesar de nunca ter fumado, acreditava que esses eram mais interessantes de serem observados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;No carro, ao acionar o pisca-alerta para entrar na curva seus olhos automaticamente buscam outros carros que entrarão nessa mesma curva, seu grande desejo é visualizar a coincidência entre as luzes piscando. Nunca conseguiu essa façanha e jamais conseguirá. Do mesmo modo ocorre quando observa vaga-lumes. Quando entrou na universidade, prestava atenção nos sons das catracas de acesso, porém, para sua infelicidade os bips não possuíam a mesma nota, havia uma variação singela que dava a impressão de desafinação. A busca pela sincronia é seu vórtice. Era tão exigente que, não só ignorava como repudiava as danças, saltos em dupla, nados sincronizados e etc, nada era perfeito o bastante, e além disso havia treinamento, não era natural.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;A idade foi passando e O Bunda passou a encolher. Tamanho seu fascínio em observar tudo sem ser observado, seu corpo começou a atrofiar. Era fantástico. Ele passou a entrar nos cantos mais escuros, espreitando tudo, registrando tudo com sua memória e ninguém o via. Sincronia, sincronia, sincronia... Nada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O Bunda passou a invadir casas e observar tudo, ninguém nunca o viu e O Bunda continuava a encolher. Passou a se esconder em armários, mais tarde em gavetas, sempre à espreita nunca desistiu, nunca foi pego.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Cada vez em lugares mais incomuns e inimagináveis O Bunda se abrigava ocultamente. Sincronia, sincronia, sincronia.... Nada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Em copos, estojos escolares, caixas de fósforo e nada. Nos rejuntamentos de pisos, circuitos dos eletrodomésticos e nada. Passou a ter o tamanho de formiga e se abrigava em couros cabeludos. Diminuiu ainda mais, observava tudo dos poros dos humanos, escolhia a melhor visão e se alojava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O Bunda se tornou unicelular, seu campo de visão era amplo e ainda buscava a sincronia. Entrou na circulação de um sujeito e finalmente, depois de anos, O Bunda encontra a perfeita sincronia ao ser expelido por um cú. O Bunda morre feliz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-8647098103343848064?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/8647098103343848064/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/06/o-bunda.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/8647098103343848064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/8647098103343848064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/06/o-bunda.html' title='O Bunda'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-788504029787497584</id><published>2011-06-18T00:50:00.004-03:00</published><updated>2011-11-24T11:52:07.596-02:00</updated><title type='text'>Marechal, O Grande Bagre Azul</title><content type='html'>O lago estava frio, a manhã cobriu a malha d'água com uma névoa uniformizada. Mesmo com todo o frio não abdiquei da cerveja gelada, um costume originado dos meus antepassados sul-americanos. Subi na canoa, remei até o centro do lago onde a água era escura e não muito profunda, preparei o equipamento e lancei o anzol. Particularmente pesco apenas com anzol para dar ao peixe a oportunidade da decisão e optar entre morder ou não a isca, capturando apenas os mais desatentos, para não contrariar Darwin e seus estudos sobre a seleção natural das espécies. Assim como para os humanos, o estado esperto nos peixes tem que ser um tremendo vórtice, um vir-a-ser.&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;Satisfatoriamente o dia não estava para peixes, talvez um sinal de que eles estavam um passo a minha frente. A cerveja se encontrava no final, já apresentando sobre mim os primeiros sintomas de embriaguez e o sol que já queria me castigar. Depois de muita insistência, fui surpreendido por uma leve pressão que movimentou minha linha, despertando um calafrio no estômago e minha atenção. Um salto furioso tensionou a linha projetando meu corpo para a beira da embarcação, quase me arremessando para a água gelada, vem&amp;nbsp;à tona a imagem magnífica de um bagre enorme, com bigodes presos às suas também enormes mandíbulas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;Lembro que na infância meu pai sempre tagarelava sobre a lenda de um grande bagre azul, chamado Marechal devido seu porte robusto. Todos pleiteavam sua captura, mas semelhantemente ao monstro do lago Ness lá nas terras altas da Escócia, não passava de uma lenda e a credibilidade das testemunhas oculares era sempre posta em questão. Mas eu o vi, se não fosse este o Marechal não poderia ser outro, e ele estava na outra ponta da minha linha. Subitamente o efeito do álcool foi reduzido devido ao nível de adrenalina disperso em meu sangue. Permaneci imóvel, estático, com as mãos tão firmes como o cipó da goiabeira. Soltava&amp;nbsp;e puxava o carretel, pensei tê-lo perdido por duas ou três vezes, mas ele continuava lá testando minha força e paciência.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;Fixado como uma estava sobre a velha barca de madeira, estava o palco da minha luta com&amp;nbsp;o bagre e a dele comigo, agora era uma questão de honra e mérito. Sentia que estávamos nos cansando e o sol agora já era uma penitência&amp;nbsp;castigava. Não poderia perdê-lo de modo algum, aquele bagre representava as melhores lembranças que tive com meu pai, anos de histórias e lendas durante as noites no campo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;Depois de duas horas meu antebraço estava fervilhando de ácido lático, provocando uma dor na linha divisória entre o suportável e insuportável. Cogitei abandonar a briga,&amp;nbsp;só não o fiz&amp;nbsp;pois&amp;nbsp;o bagre estava tão cansado quanto eu.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;Puxei o carretel com força e senti seu corpo bater na base da barca várias vezes. Senti sua fúria, seu sangue fervilhava de ódio eu sabia disso. Eram seus últimos suspiros antes de perder a&amp;nbsp;pujança. A tensão na linha foi reduzida e com muito sufoco consegui trazê-lo para a superfície. Era realmente enorme, no vilarejo eu seria a lenda, meu falecido pai teria orgulho. Mas vendo-o ali ao meu lado, mesmo muito grande, parecia frágil, movimentando-se muito pouco e com suas brânquias dilatando e contraindo rapidamente, um sinal da falta de oxigênio. Dizem por aí que a morte mais dolorosa do mundo é a morte de um peixe.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;O que eu iria fazer com ele afinal? Tirar alguma foto, mostrar para todos, dividir sua carne numa ceia saborosa? Seria uma desonra à majestade daquela espécie e à lembrança do meu pai. Comê-lo seria enterrar ainda mais meu pai dentro de mim, não poderia fazê-lo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;Soltei Marechal na base da linha d'água, vi que ele mal se movia, porém claramente estava vivo. Lentamente ele se retirou escorregadio das minhas mãos, girou seu corpo pondo-se de frente para mim, me encarou estaticamente e disse: "devolva minha orelha esquerda".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-788504029787497584?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/788504029787497584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/06/marechal-o-grande-bagre-azul.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/788504029787497584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/788504029787497584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/06/marechal-o-grande-bagre-azul.html' title='Marechal, O Grande Bagre Azul'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-122729100601272425</id><published>2011-06-13T20:03:00.005-03:00</published><updated>2011-11-24T11:56:50.190-02:00</updated><title type='text'>Esse tal de Tao</title><content type='html'>Não sou um estudioso da taoísmo, mas se me permite senhor leitor, vou divagar um pouco sobre ele e os ensinamentos de Lao Tsé.&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma viagem de mil léguas começa com o primeiro passo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intuitivamente os caminhos são formados. Assim como não adianta reger contra as leis da natureza, domina-se o mundo aquele que deixa as coisas seguirem o seu curso e não interfere sobre ele. É tornar o vento o senhor do destino das dez mil coisas e daquelas outras cujo o nome não existe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O buscar acaba sendo o não buscar. Não se pode explicar o que não pode ser explicado. Quando os olhos estão fechados e subitamente são abertos a primeira fração de tempo ainda não definiu o assunto. Não se sabe ao certo se é um azul, um amarelo, um círculo, uma nuvem, nem nada, é quando a atividade mental encontra-se na perspectiva adequada para se chegar a uma fonte mais profunda que guie a interação da pessoa com o universo. Trocando em miúdos, o desejo obstrui a habilidade pessoal de compreender o mundo. Da cabeça aos pés somos feitos de desejos e quando um destes é satisfeito, outro, mais ambicioso, brota para substituí-lo. Desse modo não deveríamos desejar nada e tampouco desejar não desejar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda essa essência baseada no agir pelo não agir pode ser interpretada erroneamente de modo que não fazer nada&amp;nbsp;seria a chave. O fato de escolher não fazer nada já representa fazer alguma coisa. O que ocorre é que a influência de suas interações no mundo pode ser muito mais produtiva se usar a sutileza e serenidade invés da força. A progressão de uma pessoa no leito de um rio é mais eficiente se estiver a favor da correnteza, quieto, imóvel, ao contrário de se debater contra a força da água. Para fritar um peixe pequeno, por exemplo, não é preciso virá-lo, apenas deixar que o calor o consuma por completo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Implicitamente pode-se inferir esse esboço de uma filosofia na anarquia. Uma palavra provocante tendo em vista um quadro histórico de lutas entre sistemas socioeconômicos, definido pelos Cidadãos Kanes do globo o que é o certo e o que é o errado, marginalizando conceitos, que mais tarde marginalizaram pessoas e suas ações. A idéia de um governo não condiz com o conceito da igualdade, um representante com um poder – seja do ponto de vista político, ou outro qualquer – não é o mesmo que um com não poder. Alguém controlar essas coisas é como um chef ficar virando&amp;nbsp;o peixe pequeno na frigideira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sucintamente pode-se refletir partindo do seguinte princípio: o design humano foi projetado e perfeitamente ajustado para nosso lugar na natureza, isto é, confiar nela em vez da nossa racionalidade. Pode ser o caminho para o contentamento a ausência&amp;nbsp;da luta constante contra as correntezas – as forças reais e forças imaginárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se acreditas numa doutrina não convença seu semelhante, tampouco apele, pois não há o que é certo ou o que é errado, isso é remar contra a maré e será em vão. Simplesmente manifeste suas crenças em suas atitudes, assumindo total responsabilidade pela movimento em que acreditas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cap. 40 de Tao Te Ching (O Livro do Caminho e Sua Virtude), de Lao Tsé&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Trinta raios convergem para o meio de uma roda&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas é o buraco em que vai entrar o eixo que a torna útil.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Molda-se o barro para fazer um vaso;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É o espaço dentro dele que o torna útil.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Fazem-se portas e janelas para um quarto;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;São os buracos que o tornam útil.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por isso, a vantagem do que está lá&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Assenta exclusivamente&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;na utilidade do que lá não está&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assumindo total responsabilidade, mostro agora uma composição de Paulinho da Viola, onde vejo o Tao&amp;nbsp; presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Timoneiro&lt;br /&gt;Composição: Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou eu quem me navega&lt;br /&gt;Quem me navega é o mar&lt;br /&gt;É ele quem me carrega&lt;br /&gt;Como nem fosse levar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quanto mais remo mais rezo&lt;br /&gt;Pra nunca mais se acabar&lt;br /&gt;Essa viagem que faz&lt;br /&gt;O mar em torno do mar&lt;br /&gt;Meu velho um dia falou&lt;br /&gt;Com seu jeito de avisar:&lt;br /&gt;- Olha, o mar não tem cabelos&lt;br /&gt;Que a gente possa agarrar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Timoneiro nunca fui&lt;br /&gt;Que eu não sou de velejar&lt;br /&gt;O leme da minha vida&lt;br /&gt;Deus é quem faz governar&lt;br /&gt;E quando alguém me pergunta&lt;br /&gt;Como se faz pra nadar&lt;br /&gt;Explico que eu não navego&lt;br /&gt;Quem me navega é o mar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A&amp;nbsp;rede do meu destino&lt;br /&gt;Parece a de um pescador&lt;br /&gt;Quando retorna vazia&lt;br /&gt;Vem carregada de dor&lt;br /&gt;Vivo num redemoinho&lt;br /&gt;Deus bem sabe o que ele faz&lt;br /&gt;A onda que me carrega&lt;br /&gt;Ela mesma é quem me traz&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-122729100601272425?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/122729100601272425/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/06/esse-tal-de-tao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/122729100601272425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/122729100601272425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/06/esse-tal-de-tao.html' title='Esse tal de Tao'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-6288198939269298413</id><published>2011-05-29T04:28:00.001-03:00</published><updated>2011-11-24T11:56:17.786-02:00</updated><title type='text'>Um tiro no escuro</title><content type='html'>Uma chuva refrescante, com pingos fortes como chumbo grosso cae sobre minha face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que sou engenheiro, mas me sinto ainda um tropicalista. Uma longa luta vencida, mas sem o sabor da vitória. Afinal de contas, para que? Por que? Para o mundo acorrentar os pés? Ou&amp;nbsp;isso apenas um último suspiro de alguém que não sabe para que veio? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São tantas perguntas e nenhuma resposta. Enquanto isso parafraseio Belchior em "Como Nossos Pais". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me repreendo agora para não deixar as lágrimas saltarem e evitar os palavrões que não servem de nada. Está escuro e minha vista cansa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso&amp;nbsp;ser um daqueles rebeldes sem causa. E eu que pensa que ser ignorante era um passo pra felicidade.&lt;br /&gt;Não dá para beber, tragar e inalar o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que se eu deitar agora vou dormir, porém é um mero engano. Contudo, a esperança ainda não morreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às quatro e pouca da manhã a gente não saber o que está dizendo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-6288198939269298413?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/6288198939269298413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/05/um-tiro-no-escuro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/6288198939269298413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/6288198939269298413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/05/um-tiro-no-escuro.html' title='Um tiro no escuro'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-3882014903766555302</id><published>2011-05-24T09:50:00.003-03:00</published><updated>2011-11-24T11:55:17.178-02:00</updated><title type='text'>Sem título #01</title><content type='html'>"Lá vem" ela pensou, "mais uma crítica alcoolizada de como tudo era melhor no passado". Como se não bastasse, restava apenas um litro de uma champagne barata, e suportar a tensão de um reencontro como esse estava naturalmente fora de seus requisitos em estado sóbrio.&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Boa noite", ele disse. "Por que não sentamos e bebemos alguma coisa antes de tudo?". "Boa noite, tem razão, melhor estarmos todos bêbados. Deixe-me pegar a champagne". Ela levantou, ajeitou os cabelos e enquanto girava em direção à cozinha, foi interrompida. "Champagne é para comemorar, vamos beber o meu martini".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ato, para resumir a história, ela perdeu tudo que valia a pena viver para recordar. E para piorar, ele também. No fim de tudo, das coisas todas do mundo, todos estarão terrivelmente loucos para sentir algo. Qualquer coisa, por mínima que fosse, ela cairia em seu colo e seus corpos nus foderiam até o fim das suas vidas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-3882014903766555302?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/3882014903766555302/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/05/sem-titulo-02.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/3882014903766555302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/3882014903766555302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/05/sem-titulo-02.html' title='Sem título #01'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-3437479658933589728</id><published>2011-05-24T03:12:00.000-03:00</published><updated>2011-05-24T03:12:14.349-03:00</updated><title type='text'>Meu Nome Não É Bill</title><content type='html'>Quando se passa algum tempo amando alguém e se perguntando por que ela também não te ama, você acaba ficando cínico com as coisas, e as borboletas do seu estômago morrem para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É cruel a sensação de não ter sensação. Torna-se impróprio, sobretudo pela própria natureza humana. Para mim, é o principal fator que nos diferencia dos animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ganhei um cachorro há quatro meses, podem chamá-lo de Bill.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-3437479658933589728?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/3437479658933589728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/05/meu-nome-nao-e-bill.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/3437479658933589728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/3437479658933589728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/05/meu-nome-nao-e-bill.html' title='Meu Nome Não É Bill'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-4024021477276405771</id><published>2011-05-05T01:05:00.003-03:00</published><updated>2011-11-24T11:54:38.330-02:00</updated><title type='text'>Núbia, fêmea sonhadora</title><content type='html'>Um desejo concedido para uma jovem amargurada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob todas as formas de galanteios, para esta jovem raros são aqueles úteis. Um grande dilema para seus pais fora ter que escolher um nome elegante para sua primeira filha. Núbia, um nome forte para uma garotinha, parecia perfeito para a condução de uma mulher firme e racional. Esforço em vão. Apesar de Núbia parecer sempre rígida, superior e jamais suspirar, todas as suas canções são de amor, seu caderninho verde que traz sempre contigo é alvo de intimidação para todos aqueles encantados, provocando a racionalização de teorias conspiratórias, quando não, no fluxo elevado das imaginações alheias. O fato é que tal curiosidade abrilhantava ainda mais o seu charme.&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um vestido florido rodado, no braço direito dois trancelins de conta para&amp;nbsp;se proteger&amp;nbsp;e uma sandália artesanal. Joga parte de seus cabelos negros e lisos sob o ombro, olhar tímido e sempre a sorrir levemente, mesmo quando não há graça nos corredores da universidade, repartindo qualquer um que cruze passagem em antes e depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua primeira lembrança é um tanto quanto frustrante. Tudo o que uma criança quer quando passa a ter idade de duas mãos é largar os apoios de rodeirinha da bicicleta. Ela jamais teve coragem para isso. Seus pais tentaram de tudo. Sob aquela morena radiante, cuja postura e nome eram repletos de força, havia ainda uma menininha cheia de receios com o mundo, cujo livro de cabeceira (Orgulho e Preconceito, de Jane Austen) – totalmente marcado à lápis por entre as linhas mais impactantes – já estava surrado de tantas leituras e reflexões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Núbia tinha dificuldade com seus relacionamentos. Como toda sua vida, foi sempre ambígua. Queria parecer firme nas decisões, baseava seus namoros na lealdade, fidelidade e respeito, mas intimamente o que ela queria era um chamego como conto de fadas. Ainda pensava que o amor era uma marcha para vitória. Uma pena descobrir isso da pior forma. Amor nunca quis dizer paz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quebrar seus paradigmas foi o esforço de alguns amigos seus, mas como um pombo com a asa quebrada, por mais que queira voar o máximo que conseguirá será apenas alguns saltos. É duro ter que ouvir de alguém como Núbia palavras de covardia, tentar acalentar seu pranto não é mais tarefa fácil como antes, pois todo consolo é invalidado quando se pensa que não há nada mais o que fazer, que assumir a culpa e se flagelar é tornar um cenário degradante, impróprio para seus devaneios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existe coisa mais triste que viver uma mentira. Demorou para ela perceber isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de esforços, nem sempre a vida da gente está afastada demais dos clichês. O coração é um só, seja aquele da idade média, seja aquela do facebook. Não há erro ou acerto, apenas tentativas. Afinal nada disso é racional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje ela está embriagada numa escada, amanhã provavelmente de ressaca. Seguirá assim por algum tempo sem perspectiva alguma. Até que um dia chegará alguém oferecendo um drinque. No meio da madrugada ele apostará vinte reais num beijo sem que toque os lábios. Ela duvidará e aceitará a aposta. Ela fecha os olhos. Ele beija seus lábios e perde as vinte pratas propositalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, desde o princípio Núbia sabia que ganharia a aposta, é o tipo de galanteio que ela gosta. Para ela, assim como para os outros, achará que esta é a única pessoa com quem ela conseguiu dançar. Mas a questão não é essa, é sempre mudar a melodia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um abraço,&lt;br /&gt;Jorgin, O Maneiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Qualquer semelhança é mera coincidência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-4024021477276405771?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/4024021477276405771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/05/nubia-femea-sonhadora.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/4024021477276405771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/4024021477276405771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/05/nubia-femea-sonhadora.html' title='Núbia, fêmea sonhadora'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-394827781835121104</id><published>2011-04-23T22:03:00.007-03:00</published><updated>2011-11-24T11:53:53.308-02:00</updated><title type='text'>Doa a Quem Doer, Mas Eu Desisto</title><content type='html'>Desculpas aos meus amigos que perderam seu tempo querendo me convencer, me desculpe aos meus pais que nao fazem ideia do que se passa dentro de dim, que me desculpe as freiras, padres e pais de santo, foi tudo em vão, desculpa aos departamentos de marketing das cervejarias, não consegui um sorriso sequer consumindo seus produtos, ao contrário das outras pessoas.&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não importa o que eu faça, com quem eu saia ou converse, o que eu bebo, o meu trabalho, os meus amigos, o que eu como, como eu durmo, o que eu penso, o quanto eu ganho... Nada é mais poderoso que a força da natureza. Perdi, não há mais fôlego na luta contra ela. Como diz Fernando Pessoa, o poeta português: "A vida prática sempre me pareceu o menos incômodo dos suicídios". O remorso pode ser a causa desse meu desespero, todavia é tudo o que posso sentir agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me perdoem se eu insisti nesse tema, mas não sei escrever poemas, crônicas&amp;nbsp;ou criar canções que falem de outra coisa que não seja o amor.&amp;nbsp;Me perdoem se&amp;nbsp;o quadradismo dos versos e parágrafos, vão de encontro aos seus intelectos que não usam&amp;nbsp;o coração como expressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um último adeus (a não ser que&amp;nbsp;o fracasso seja tão efêmero quanto o sucesso)&lt;br /&gt;Jorgin, O Maneiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Você Abusou (Antônio Carlos e Jacofi)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-394827781835121104?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/394827781835121104/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/04/doa-quem-doer-mas-eu-desisto.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/394827781835121104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/394827781835121104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/04/doa-quem-doer-mas-eu-desisto.html' title='Doa a Quem Doer, Mas Eu Desisto'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-5505345521473877238</id><published>2011-03-31T23:02:00.001-03:00</published><updated>2011-04-01T15:37:51.088-03:00</updated><title type='text'>Também Morre Quem Atira</title><content type='html'>Dona Lalinha, sessenta e poucos anos, herdeira de um poderoso latifundiário goiano, especialista em direito civil, bem casada, mãe de dois filhos, Cibele e Alberto, seu principal hobby é cozinhar para o único neto. Seria assim se ela não tivesse entrado na guerrilha e fosse assassinada em 1969.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde muito jovem sentia-se independente e tinha um espírito aventureiro, até que com o estopim do golpe de sessenta e quatro frustrou-se e mobilizou todo o ardor do seu sangue no desenvolvimento da guerrilha armada brasileira. Isso aos dezessete anos de idade, quando fugiu da fazenda do pai. Ainda na infância recorda facilmente do seu gen agressivo. Enquanto seu pai proibia a garota de sequer aproximar-se do matadouro de bois em sua propriedade, ela sempre dava um jeito de fugir e participar dessa chassina. Nos primeiros momentos Lalinha se assustava com carnificina, com os ruídos que o animal produzia, com a violência do impacto, com a quantidade de sangue esvaziando o corpo do animal. Isso durou pouco. Acostumou-se com a atividade e convenceu o funcionário de seu pai para realizar sua primeira vítima. Lalinha segurou firme o cabo de uma madeira e num movimento rápido atingiu a cabeça do animal, infelizmente a força da garota não foi suficiente e recebeu ajuda no segundo golpe. O barulho da madeira atingindo o crânio do animal sempre provocou uma vibração sonora agradável para seus ouvidos. Com o animal já ao chão e ainda com os olhos abertos, Lalinha perfurou com uma espécie de canudo metálico o interior da nuca do boi, o sangue espirrando e molhando suas mãos foi um atraente sinal de conquista. Ela tão pequena, conseguiu exercer dominio sob um animal daquele porte e matá-lo em três minutos. Nos dias seguintes Lalinha estava viciada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não sabia ao certo se o envolvimento com a guerrilha era pelo desejo revolucionário ou pela adrenalina que um tiro certeiro no inimigo produzia. Umas pessoas tem vocação para medicina, outras para engenharia, Lalinha acreditava ter vocação para matar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando não seria o exército um valhacouto de torturadores? Esses Lalinha sentia mais prazer no combate armado. Passava horas polindo suas armas e praticando o tiro. Apesar de ser a mais jovem do grupo, era a mais destemida, cruel e, de um certo modo, eficiente. Passou a usar o pseudônimo de Augusta, e desde que fugira de casa jamais viu sua família. Lalinha não se incomodava com as noites mal dormidas, com as comidas mal nutridas e as roupas mal lavadas, pois tinha certeza que no fim do dia valeria a pena, seja pelo fortalecimento de seu grupo, seja pelo prazer de fazer mais uma vítima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma missão de captura do seu grupo ordenada pessoalmente por Costa e Silva, conduziu um batalhão de soldados para área de acesso daqueles guerrilheiros, certos setores da população não gostavam da ideia de ter essa gente em sua cidade, e por tanto denunciavam, tornando mais fácil o trabalho dos comendatários. Para infelicidade de Lalinha, nesse corpo de ação havia um cabo em especial, o Oliveira. As únicas leis que esse militar conhecia eram as leis da vingança e da ordem. As ações de Augusta eram conhecidas dentro dos batalhões, de certo modo tornou-se um mito sua personificação. Dentre essas ações Oliveira recorda de uma, a qual trazia um gosto especial pela busca de Augusta: seu pai, o Comandente Oliveira fora assassinado enquanto saia do cinema na capital. Rumores indicaram a presença de uma jovem, que apesar de estar em grupo, fez questão de dar o tiro de misericórdia. Essa jovem era Lalinha, ou Augusta para os militares. O cabo Oliveira jamais superou a morte de seu pai, e jurou a condenação daquela alma impiedosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de duas semanas seguindo os rastros em mata densa, numa noite de agosto de 1969, o batalhão repreende os guerrilheiros e há captura de&amp;nbsp;treze deles, além de duas mortes. Para infelicidade do cabo Oliveira, Augusta não estava naquele meio. Sem outra solução Oliveira olha para as faces assustadas daqueles prisioneiros e vê no resto de um deles um germe de desconfiança. Seleciona este para um interrogotário, o Genuíno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Genuíno era um sujeito nitidamente revolucionário, um admirador de Che Gue Vara, mas algumas de suas ações eram questionáveis para aquele grupo. Ele era o cabeça de informação e conseguia muitas delas por meio de propina, com recursos oriundos do mercado negro de munições com tropas esquerdistas bolivianas. Sua dignidade sempre foi duvidosa entre seus companheiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oliveira manda Genuíno sentar-se numa cadeira de madeira com uma das pernas tombando, dá um boa noite que é rapidamente respondido&amp;nbsp;no mesmo tom de voz, pede ao outro soldado para amarrar as mãos dele atrás do encosto da coluna, e retira imediatamente sua calça bastante surrada. Mas Genuíno não demonstra qualquer sinal de medo, raiva ou tristeza, simplesmente está indiferente, isso definitivamente parecia nao o intimidar. Confiante demais para os pudores de Oliveira. O Cabo retira de sua maleta um equipamento simples, eficiente e já conhecido entre os torturadores: um par de fios desencapados e eletrificados, ligados a uma bateria. Oliveira questiona sobre&amp;nbsp;Augusta, mas Genuíno não parecia ter ouvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O volume dos gritos passou a ficar cada vez mais intenso até que Oliveira respira fundo e calmamente reinicia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como você não está cooperando, vamos recomeçar. Tá vendo esses fios? Quer vê-los sobre seus testículos? Garanto que suas bolas explodirão antes de você desmaiar de dor. Vamos ver até quando você sua masculinidade resiste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao aproximar os fios a cerca de dois palmos Genuíno responde:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei exatamente onde o resto do grupo está, sei onde estarão e conheço cada passo de Augusta, ou Lalinha como nós a conhecemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o suficiente para Oliveira abrir um sorriso, guardar sua parafernália e iniciar uma conversa branda entre bandido e bandido, sob a garantia de anistiar Genuíno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã seguinte os militares encontram facilmente o resto dos guerrilheiros e uma troca de tiros agressiva surpreende a calmaria que a floresta está acostumada. A guerrilha possui poucas alternativas, já que está com o grupo defasado e foi pega de surpresa pela tropa militar. Não foi difícil Oliveira encontrar a jovem e atingi-la em sua coxa esquerda, desequilibrando Lalinha até que tombe na terra molhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Renda-se a não ser que deseja morrer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oliveira estava tenso com aquela situação, mas a jovem caída ao chão não parava de disparar contra o cabo e não deu um piu sequer. Sua munição evaporou num instante e a jovem não parecia apelar para a rendição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qual é seu nome garota?! - Oliveira gritava euforicamente - Qual é o seu nome, porra?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num espasmo Oliveira segurou os cabelos da jovem, inclinando sua cabeça para frente, num gesto agressivo, mas que possibilitava olhar no fundo dos seus olhos. E tornou a gritar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porra, me diz o seu nome ou te mato agora? É você que é a Augusta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lalinha retribui o olhar, e abre um leve sorriso no canto da boca:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Guerrilheira não tem nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oliveira dispara imediatamente com sua trinta e oito&amp;nbsp;sob seu maxilar. Nesse momento Dona Lalinha deixa de existir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-5505345521473877238?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/5505345521473877238/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/03/tambem-morre-quem-atira.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/5505345521473877238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/5505345521473877238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/03/tambem-morre-quem-atira.html' title='Também Morre Quem Atira'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-4578193822500589397</id><published>2011-03-28T02:23:00.001-03:00</published><updated>2011-03-28T02:24:27.913-03:00</updated><title type='text'>Adiós Muchachos</title><content type='html'>Sob qualquer forma ilustre de demonstrar afeto, nenhuma delas pode ser tão eternizada quanto um registro escrito. Me retiro deste lugar sem saber se ainda retornarei, mas com uma sensação confortante de dever (quase) cumprido. Trago implícito nessas palavras as experiências que este lugar me trouxe, por todo amor que houvera, por cada esquina mal pavimentada, por suas praças e palmeiras, pelo erotismo de suas paisagens, pelos bares, vielas sombrias e bocas, que já acalentaram a tanto tempo minha alma. Não sei para onde estou indo, mas sei que não será o meu lugar. O destino prega peças, e é impossível evitá-lo porque a natureza humana é fraca, a carne é fraca e um desejo incendeia minhas entranhas alimentanado uma ilusão de mudanças que sei que jamais ocorrerão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz tanto tempo que não passo em certos lugares. Minha memória hoje é minha principal inimiga. Onde está Bené? Onde está o senhor que passava pela rua de minha avó tocando um triângulo enquanto vendia cavaco-chinês? Onde está a preguiça que vivia nas árvores da praça? Cadê aqueles garotos todos com quem joguei bola na rua de paralelos, hoje asfaltada? Cadê aquelas meninas que na flôr da puberdade criavamos joguinhos para destribuir beijos? Onde está minha primeira paixonite de tantos anos atrás? Eu não vejo mais ninguém soltando pipa, jogando bolas de gude, peão ou colando figurinhas. Tenho certeza de que já não sou o mesmo garoto que saia com uma biscicletinha amarela até a loja de conveniência do posto para comprar picolé, era só o que eu precisava para rir. Hoje tenho receio de olhar no fundo dos meus olhos pelo reflexo do espelho e não ver mais o que um dia eu fui. Sou apenas um alcoolatra prostituído, corrompido pelas imoralidades. A inocência é muito fácil de se perder e impossível de ganhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acredito num recomeço, mas julgo minha atitude por que não adianta ir contra o mar que por mais que haja esforço, ele sempre vence, sempre leva. Parece ser o curso natural das coisas, muito mais forte que os desejos e a ambição de criar uma família aqui, nesse lugar imperfeito e poético, ainda sustentando um cheiro de terra molhada ao chover juntamente com a brisa úmida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminhão de mudanças está aguardando o envio de material. Me choca essa imagem da partida e a sensação de que agora jamais retornarei para ficar. Que esse meu quarto ficará vazio, se tornando um quarto para visitas talvez ou o tão sonhado escritório que meu pai almeja. Me choca voltar nas férias para ser uma 'visita', reunir os parentes e amigos para festejar minha vinda. Ah, quantas recordações.&lt;br /&gt;Pode ser normal para as pessoas, mas quem sempre fere meu coração sou eu e mais ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje quero crer que nada foi em vão. &lt;br /&gt;E só. &lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estância, abril de 2011. &lt;br /&gt;Jorgin, O Maneiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-4578193822500589397?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/4578193822500589397/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/03/adios-muchachos.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/4578193822500589397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/4578193822500589397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/03/adios-muchachos.html' title='Adiós Muchachos'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-8074633618803506494</id><published>2011-03-17T01:46:00.003-03:00</published><updated>2011-03-20T10:05:19.666-03:00</updated><title type='text'>O Diário Perdido de Connie, Semente de Maçã</title><content type='html'>18 de setembro de 2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querido diário,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje não deveria ser um dia para sentir alegria, mas no entanto é assim que me sinto. Lembra-se daquele garoto, o texano cheio de ternuna, o qual me aventurei há uns três meses, o Charlie? Ele realmente é amável, mas cansei. Terminamos hoje pela manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do almoço fui até a praia para pensar um pouco nos próximos passos, agora que estou solteira e sou jovem tenho a vida toda pela frente. Minha pele bem cuidada devido esses anos todos de alimentação regrada e produtos de beleza finalmente serviram para alguma coisa. Ainda na praia, enquanto passava meu protetor solar de fator 50, que mantém minha boa textura de pele e ainda garante um agradável perfume, um surfista com sangue latino me encara antes de entrar no mar. Adorei essa sensação de me sentir desejada. Eu jamais sairia dali antes dele ir embora, e assim o fiz. Em sua saída do mar revidei o olhar, foi um convite às claras para o desencadear da arte da sedução. Ele veio até mim e agora, 13 horas depois, o "eu e ele" se tornou "nós".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde então estou me perguntando se poderia me enquadrar com o título "garota fácil", pouco importa para mim, mas gostaria apenas de entender. O que há de demais em abandonar alguém que gosta de você, que se importa com você, alguém que realmente seja agradrável e ir de encontro a alguém que nem mesmo sei se seu nome tem um ou dois éles, mas que possui um tom moreno de pele encobrindo os músculos definidos? Ai, é de arrepiar, risos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que realmente não me importo com nenhum dos dois, apesar da ternura de Charlie e da atração física por Alan ou Allan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve ser algo biológico. Algo previsto por Darwin, a seleção natural ou dimorfismo sexual. Uma simples luta entre indivíduos pelo direito de se reproduzir. Seria considerável essa hipótese se estivessemos no período paleolítico médio, onde músculos, agilidade e uma pele escurecida seriam favoráveis para a propagação da espécie. Neste século, o cérebro parece ser mais viável, já que possivelmente Charlie garantiria um futuro mais próspero em relação à habitação, alimentação, lazer e etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa, isso é uma confusão. Só um momento, o telefone está tocando. Ai!!! É o Alan, ou Allan. Vou aproveitar e perguntar como se escreve seu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto. Finalmente descobri o motivo dessa escolha e termino aqui minhas interrogações: acontece é que eu estou com tesão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui na California as coisas são assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: o nome do surfista latino é com dois éles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até amanhã,&lt;br /&gt;Connie, Semente de Maçã&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-8074633618803506494?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/8074633618803506494/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/03/o-diario-perdido-de-connie-semente-de.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/8074633618803506494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/8074633618803506494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/03/o-diario-perdido-de-connie-semente-de.html' title='O Diário Perdido de Connie, Semente de Maçã'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-3121719488126962533</id><published>2011-03-13T13:30:00.000-03:00</published><updated>2011-03-13T13:30:44.493-03:00</updated><title type='text'>Boa Sorte</title><content type='html'>Bem, aqui estou eu mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na terra o tempo prega peças em você. Um momento você está vivendo a realidade nua e crua, sem condimentos ou temperos; no próximo, voce está sonhando e depois acorda só para estragar o seu dia; e no último, o sonho se torna realidade. Por esse último ainda espera, apesar de achar que não ficará tempo suficiente por aqui para poder apreciá-lo. Já existiram épocas melhores para você, mas você de repente acordou. Parece que alguém escreveu seu roteiro como se escreve um seriado americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se alguém tivesse te dito isso antes pelo menos, certamente não acordaria. Erros foram cometidos, assim como corações foram partidos e severas lições eternas aprendidas. Sua família continuará sem você, enquanto se afoga num mar das (des)graças sagradas da vida. Você não ama ninguém, na verdade jamais amou. Apenas ama a ideia de amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É duro ter que escrever isso, mais duro ter que ler, presumo. As palavras não nasceram para ser algodão-doce, nasceram afiadas como lâmina de um punhal penetrante. Um corte profundo reage melhor que um açúcar derretido na saliva da sua boca. Quer saber quando vai parar doer? Não vai gostar de ouvir isso, mas se você tiver sorte, nunca. É essa dor que ainda te mantém em vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você tem que contar com o que você realmente é, não conte com seu potencial, ninguém sabe se um dia o atingirá. É bem verdade que ninguém deveria ser obrigado a enfrentar sua própria face, é bem verdade que ninguém deveria ser só mais um tijolo na parede, mas às vezes é só isso que você pode ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma é melhor se deitar acreditando que nenhum sonho que você ousou sonhar está além de seu alcance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relógio está correndo e não vai parar. O buraco está cada vez mais fundo. Vinho é bom, whisky é melhor, admito, mas a bebida causa um suicídio lento e degradante, porém não é isso que vai te matar. É a vida que vai te matar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei como chegou até isso, mas sei que chegou aqui, apodrecendo sua carne sob o sol quente de Los Angeles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos estamos desperadamente loucos para sentir algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa noite, Charlie.&lt;br /&gt;Jorgin, o Maneiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-3121719488126962533?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/3121719488126962533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/03/boa-sorte.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/3121719488126962533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/3121719488126962533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/03/boa-sorte.html' title='Boa Sorte'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-4204113908943817914</id><published>2011-02-02T23:31:00.000-03:00</published><updated>2011-02-02T23:31:42.364-03:00</updated><title type='text'>Síndrome de Shoichi Yokoi (ou no melhor dos casos, de João Gilberto)</title><content type='html'>Sofro disso. Não é uma moléstia conhecida pelos acadêmicos da medicina ou psicologia, nem de outra pessoal qualquer, presumo, só que eu simplesmente descobri isso por sofrer justamente disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, Shoichi Yokoi foi um soldado do Exército Imperial Japonês. Durante a II Guerra Mundial, foi enviado para a Ilha de Guam em meados de 1941, no Oceano Pacífico, ocupada pelos japoneses logo após um dos mais populares ataques desta guerra, o ataque à Pearl Harbor. Em 1944 os norte-americanos recuperaram a ocupação de ilha e Shoichi Yokoi embrenhou-se nas matas com o intuito de não ser capturado. Até aí tudo relativamente normal, exceto pelo fato dele ter passado 28 anos vivendo num buraco, fugindo de qualquer tipo de ser humano e sem noção alguma do fim da guerra ou de qualquer outra coisa alheia a isso. Até que um dia foi encontrado, tornando-se um herói nacional. Mas que motivo ele teria para essa fuga de 28 anos, sem contato com a família, amigos, seu país, sem conforto, sem uma alimentação adequada, com roupas feitas de plantas nativas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Foi muito constrangedor para mim ter retornado com vida”,&lt;/em&gt; foi o que ele disse ao chegar de volta ao seu país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não encontrei, mas adoraria assistir o documentário Yokoi and His Twenty-Eight Years of Secret Life on Guam (Yokoi e Seus Vinte e Oito Anos de Vida Secreta em Guam). Um caso semelhante e bastante intrigante também é o de outro soldado imperial japonês, Hiroo Onoda, mas não discutirei esse, apesar da semelhança a causa é outra. Vale a pena dar uma pesquisada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu caso não chega a esse nível (pelo menos até agora), mas parece muito com o de João Gilberto. Este cidadão, que por sinal é nasceu onde morei nos primeiros anos de minha vida, Juazeiro da Bahia, é tido como ícone da bossa nova, um ritmo sincopado da percussão do samba, com o emplacado Chega de Saudade (1958) interpretado por Elizeth Cardoso, tendo João Gilberto ao violão, que posteriormente fez um álbum homônimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje aos 79 anos, vive em seu apartamento no Leblon (que por sinal não é de fato seu, já que é alugado de uma condessa italiana por mais de quinze anos, que por sua vez acabou de enviar uma ordem de despejo segundo a Folha de São Paulo, o que nem convém eu reiterar), totalmente enclausurado. Não atende a telefonemas, não tem empresário ou assessoria de imprensa, não faz apresentações, toda sua alimentação é enviada até sua residência, e nem mesmo o porteiro ou vizinhos o vê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me recordo agora do caso de Belchior, em que uma onda nacional provocada pela mídia global foi a sua procura. O encontraram isolado num pequeno vilarejo do Uruguai, atrapalhando sua reclusão tão bem conquistada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me sinto como esses caras, não sei quais são seus motivos, mas gostaria simplesmente de ser um fantasma, mas sem ninguém procurando por mim. Lembro agora do filme Into The Wild, 1997 (no Brasil, Na Natureza Selvagem), baseado no livro Jon Krakauer, publicado em 1996, que conta a história verídica de Christopher McCandless (que passou a adotar o nome de Alexander Supertramp em seu período de reclusão no Alasca e outros lugares magníficos). Quem já assistiu deve ter tido vontade, nem que seja um pouco, de se recolher daquele modo. Eu tive muita (e tenho ainda), mas sou preso por afetos e por gostar de fazer o que faço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas por que a reclusão? Por que se privar das coisas assim? Por que todos esses, cada um com seus motivos e com sua intensidade, preferiram sumir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que EU gostaria de sumir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quidam&lt;/em&gt; é um termo épico usado por Cyprian Kamil (1821-1883), poeta polonês da segunda geração do romantismo -- olha só onde fui me meter, esse nome deriva da palavra em latim que significa &lt;em&gt;alguém, um ser humano&lt;/em&gt; e Cyprian o usa como um homem que procura um lugar na vida, alguém em busca da verdade. Um anônimo, um órfão completo: Quidam, uma sombra de tristeza. Quidam não tem garras retráteis, nem coluna vertebral de titânio, tampouco moral flexível. Me identifico bastante com isso. O mundo pede o oposto do que um Quidam pode oferecer. A clausura parece uma solução, ou pelo menos uma busca por respostas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estrada, sinto ela como uma velha amiga. Uma pena não ter tanto contato quanto gostaria e deveria. Me ensina mais que livros e filmes, tem mais devaneios do que os sonhos todos, dá mais respostas mesmo quando surgem mais perguntas, alivia a alma, a mente, o coração. A estrada parece ser o único caminho para a busca das verdades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Não pôr fim ao que tem remédio e denunciar as coisas com um simples murmúrio torna-nos cúmplices da nossa miséria”,&lt;/em&gt; Saramago, El Pesimista Utópico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabo sendo conivente com minhas angústias. Apesar de chegar ao desejo bastante forte de abdicar de tudo, de procurar respostas com uma velha amiga, no entanto, estou aqui sentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja o Egito, deve ser o povo mais punk do globo, depois de trinta anos suportando seu ditador, resolveu sair para as ruas como aquela máxima do “faça você mesmo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rezo para que um dia também quebre minhas correntes. Por enquanto vivo com Dom Quixote de La Mancha e Sancho Pança vivendo no terreno mais hostil que consigo imaginar, minha mente. Um verdadeiro conflito de interesses do meu eu com meu outro eu. Se de um lado Dom Quixote é um visionário, um idealista apaixonado, com seus sonhos fantasias e delírios, do outro, Sancho Pança é um cruel realista, que vê apenas o que enxerga. Dom Quixote coloca à tona meu coração, meus sentimentos, minha alma, Sancho Pança reprime, põe o dedo na ferida, tem o trabalho como a dignidade do homem. Um alheio ou pudor de ser escravo do outro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como Dom Quixote se refere ao seu fiel escudeiro, Sancho Pança: &lt;em&gt;“Um rapaz de bem, mas com pouco sal na moleirinha&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse conflito interno um dia alguém vencerá e se for para eu morrer de amor, que eu morra acordado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-4204113908943817914?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/4204113908943817914/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/02/sindrome-de-shoichi-yokoi-ou-no-melhor.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/4204113908943817914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/4204113908943817914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/02/sindrome-de-shoichi-yokoi-ou-no-melhor.html' title='Síndrome de Shoichi Yokoi (ou no melhor dos casos, de João Gilberto)'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-506823238967873773</id><published>2011-01-26T21:56:00.000-03:00</published><updated>2011-01-26T21:56:26.157-03:00</updated><title type='text'>Zé Sereno, 62 quilos de melancolia</title><content type='html'>Ele pesava há dois meses um total de 64,5 quilos. até agora perdeu&amp;nbsp;2,5 quilos, o que dá em média 42 gramas a menos por dia. O motivo é seu coração. Não no sentido dele ter algum problema cardiovascular, foi a dor de um amor jamais correspondido que infelizmente só descobriu depois de passados 853 dias. Uma traição no meu ponto de vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O coração desse pobre soldado vinha batendo meio coisado, não existia consolo para reduzir sua disritmia, não existia travesseiro suficiente para cobrir seus sonhos tortos, nem cobertor para acalentar seus devaneios, nem viagens para fugir do mundo.&lt;br /&gt;Entre um copo e outro, o peito do infeliz emitia um estranho ruído. De vez em quando na mesa, a gente escutava um estranho zumbido. Eu tinha medo de acompanhá-lo numa embriaguez mútua como sempre fazíamos nos bons tempos. Desde que ela foi embora, assim, sem mais nem menos mesmo, no auge da paixão apesar dos dias todos transcorridos, ninguém mais parece estranhar quando o pobre se derrete e chora. Estava se tornando um hábito. E eu estava terrivelmente mal por não ter condições de ajudá-lo, meu grande camarada de tantos tempos agora parecia ter se entregado. Não tinha como animá-lo, ele acabava sempre tudo com um discurso inconformado, e todos acabavam concordando. Não havia como relutar contra seus argumentos, o coração sempre acerta quando colide com a razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé Sereno optou se distanciar de nós amigos, pelo que consta iniciou uma fase negra da sua vida. Álcool já era nosso costume, apenas o volume ingerido que assustava, e segundo as más línguas, o pobre soldado estava no ácido. Zé Sereno não era mais o mesmo, era apenas sua sombra. Eu tentava me lembrar como ele era sem o ácido, como ele era sem o litro de conhaque, mas foi tudo apagado da minha mente. De Zé Sereno só lembrava de sua sombra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram alguns longos dias e ele reapareceu, no mesmo bar, em nossa mesa. Sua aparência estava melhor, apesar de sua pele relativamente flácida para seu sangue jovem e dos ossos da maçã do rosto visíveis. Conversamos um pouco sobre coisas alheias a tudo isso, alguns vezes sua feição esboçava alguns sorrisos. Depois de algumas horas ele me contou que estava superando tudo isso: "A melhor maneira de esquecer &lt;br /&gt;uma mulher, é transformá-la em literatura". Curioso, jamais tivera pensando nisso, mas fazia muito sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O convalescente Zé Sereno escrevia como um louco. Eu li um pouco de seus rascunhos. Incrível, como a arte pode dar dimensões ricas e belas a uma vida tão acidentada, recheada de rancor e amargura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suas ambições literárias eram grandes demais, e potencial, no meu ponto de vista, tinha tanto que sobrava. Cada letra, cada palavra reproduziu em mim sintomas únicos, intensos. Não havia como ler rapidamente, era preciso degustar aos poucos, para dar tempo de digerir toda a informação e sentimentos envolvidos naquilo. Eu nunca soube desse talento nele, acho que nem ele mesmo sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé Sereno parece agora ter superado seus 853 dias, tem um agente da editora trabalhando dia-a-dia com ele. Como seu trabalho caiu no gosto da editora, está tendo muito incentivo em publicidade e a tiragem inicial planeja vai além do que a média dos novos escritores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filósofo espanhol Ortega Y Gasset uma vez escreveu: “eu sou eu e minhas circunstâncias”. Já o poeta Fernando Pessoa gostava de dizer que havia “um eu profundo e os outros eus”. Zé Sereno não acredita &lt;br /&gt;nesses pensadores, tornou-se excêntrido demais para isso. A diferença é que agora ele pode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o melhor de tudo, sempre que podemos estamos ainda naquela mesma mesa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-506823238967873773?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/506823238967873773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/01/ze-sereno-62-quilos-de-melancolia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/506823238967873773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/506823238967873773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/01/ze-sereno-62-quilos-de-melancolia.html' title='Zé Sereno, 62 quilos de melancolia'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-4917329615819268844</id><published>2011-01-18T01:24:00.003-03:00</published><updated>2011-01-18T20:31:09.899-03:00</updated><title type='text'>Lolita</title><content type='html'>Embora a vida não tenha me tratado com amor, às vezes ela me brinda com pequenas alegorias gratuitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentir todos os dias a solidão rastejar na minha pele como um ar frio adentrando as mangas do casaco até chegar ao ventre, parece uma doença. A solidão é também um mal físico, não só emocional. Carregar esse fardo consigo dia após dia infecta a vida e tentar disfarçá-la com mimos, certas "companhias" e bebidas pode adiantar a doença para uma fase terminal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho conhecido pessoas novas, algumas mulheres interessantes, outras nem tanto. Não é um ato de busca, é só de liberdade, uma liberdade mental do tipo&amp;nbsp;que te faz&amp;nbsp;frequentar&amp;nbsp;lugares diferentes com pessoas mais diferentes ainda. De todas as pessoas que conheci, destaca-se uma certa mulher. Não é o tipo de pessoa que teria interesse, apesar das curvas. Mas seu charme provoca em mim os sentimentos mais carnais. Seu tom de voz sedutor, seus lábios carnudos, seus cabelos negros e lisos, relativamente curtos como os de Lois Lane na década de oitenta, seus olhos brilhantes, redondos e absolutamente negros como o breu da noite mais sombria que possa imaginar. Tudo isso é muito provocativo. E o que ainda pior, a reciprocidade do afeto notada em cada conversa, ligação ou mensagem de texto. Gente assim é Deus quem faz, mas o diabo é quem tempera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ideal seria evitar um envolvimento, ou até mesmo me afastar. Há aquele ditado que diz algo como "essa mulher é chave de cadeia". Por outro lado há aquele em que diz "a melhor maneira de se livrar de uma tentação é cedendo". Prefiro este último.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convidei para sair uma vez, outra vez e mais uma vez. Estávamos cada vez mais ligados, eu&amp;nbsp;atento a cada suspiro, ela curtindo os momentos despreoculpadamente. Ainda não havia acontecido nada, não por ausência de desejo. Na verdade estávamos nos prendendo para não arrancarmos o pescoço um do outro, tamanha euforia que corria em nossos sangue juvenil a cada despedida.&amp;nbsp;Ambos sabíamos que era inevitável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todos os encontros um foi mais íntimo. Esse último. Ela veio para meu apartamento, todos os amigos de república estavam em suas respectivas cidades. Era só eu, ela, um bom vinho que havia comprado para ocasião e um filme&amp;nbsp;(Lolita, baseado em romance do escritor russo &lt;a href="http://www.blogger.com/wiki/Vladimir_Nabokov" title="Vladimir Nabokov"&gt;&lt;span style="color: #0645ad;"&gt;Vladimir Nabokov&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, publicado em 1955 pela primeira vez).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nosso quarto ou quinto gole de vinho, nos vinte primeiros minutos de filme, ela virou seus dois negros olhos para mim, deu um sorriso com o canto da boca e retornou para o filme. Evidentementemente que não consguia mais prestar atenção no filme (já o tinha assistido três vezes na versão de 1997 dirigida por Adrian Lyne e outras duas na primeira versão, a do famaso diretor Stanley Kubrick, em 1962). Se havia alguém cauteloso ali do lado dela, esse alguém não existia mais, toda a racionalidade foi perdida no ato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de mais uns quinze minutos, ela já estava sob meus braços, e num movimento brusco posou seu corpo em cima do meu, me surpreendendo com tamanha agilidade e com seu poder de dominação. Começou a rir para mim, mas sem amostrar os dentes, fitando-me com os seus grandes olhos negros e retirando com sua mão direita uma mecha de seu cabelo que&amp;nbsp;ficara entre as lábios. Eu estava absolutamente sem ação, exceto pela minha euforia que agora já era perciptível. Retribuí o sorriso numa tentativa de amenizar minha face de surpresa e&amp;nbsp;levando por menos toda minha euforia. Ela se aproximou do meu peito.&amp;nbsp;À essa altura minha camisa de botão já se encontrava semi-aberta. Chegou um pouco mais perto do meu rosto e com um toque sutil encostou seus lábios nos meus e os retirou imediatamente, voltando a fitar-me com seus olhos, agora mais brilhantes do que nunca. Minha mão direita passeou pelos seus cabelos, nesse instante senti um calafrio vindo de seu ventre, e quando finalmente tentei tomar posição da situação, ela recuou e retornou a vidrar seus olhos no filme e sua mão na taça de vinho. Não tive outra escolha, a não ser acatar tudo aquilo.&amp;nbsp;Ela venceu,&amp;nbsp;tinha exercido todo&amp;nbsp;o domínio sobre mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuamos com o filme e o vinho. Havia selecionado o filme por sua história fantástica, seu poder atrativo e pelas cenas um pouco mais fortes, evidentemente. Só não iria prever que agora eu seria o professor de poesia francesa Humbert e ela Dolores Haze (a Lolita do filme, que apesar da idade tem sob o professor completo domínio). Se fosse para ser como no filme o final, teria escolhido outro. A primeira garrafa havia acabado, iniciamos a segunda enquanto&amp;nbsp;o filme mal tinha chegado na metade. O tempo passava muito lentamente. Confesso que estava tenso. Nunca ninguém provocou tamanho sentimento de submissão em mim, mas já era tarde demais, não tinha como voltar e mesmo que tivesse, não voltaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente o filme terminou. Conversamos um pouco sobre o filme. Fiz uma comparação sarcástica, porém&amp;nbsp;bem-humorada sobre ela e Lolita. Ela sorriu. Procuramos algo na geladeira para comer (eu sei, nada romântico). Achamos queijo e presunto. Cortamos em rodelinhas para nós petiscarmos com auxílio de um palito. Enquanto terminávamos o vinho, liguei o som. Num volume bastante confortável coloquei o álbum The Blues Never Die (1981) do cantor e gaitista Charlie Musselwhite. Pronto! Tudo perfeito. Um bom vinho, meia luz (mesmo com o final do filme deixei a luz propícia), blues e euforia. Bastante euforia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um pouco de humor fui até ela, primeiro encostei meu rosto em seu pescoço enquanto ela me abraçava. Sua mão esquerda veio até meu queixo, erguendo-o. Agora seus lábios estavam na altura dos meus. Desta vez fui eu quem encostou nossos lábios sutilmente, retirando-os imediatamente quando percebi que ela ganhara euforia com aquilo. Estava tentando agora, não dominar a situação, mas chegar no mesmo nível, pelo menos. Nossos corpos ficaram quentes o bastante para aquela noite fria. Ela segurou minha mão, fazendo-a deslizar&amp;nbsp;nas suas curvas. Enquanto minha mão subia desabotoei a parte superior de sua blusa, deixando um espaço suficiente para retirá-la sem complicações. Ela usava suas duas mãos, mas não as controlavam muito bem, pois precisei ajudá-la para desabotoar o resto da&amp;nbsp;minha camisa. Em seguida ela retirou sua blusa, amostrando seu sutiã de cetim branco. Éramos um do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela segurou minha mão esquerda, me puxando até o quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me empurrou até a cama e trancou a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro dia acordei cedo, mas não abri os olhos. Imaginei que foi um sonho ou que ela não estaria mais lá. Fui surpreendido com sua mão sob meu peito e com uma pergunta: "Acordou?". Assenti com a cabeça e perguntei como ela descobrira. Ela disse que sentiu a mudança de minha respiração. Nesse momento pensei que ela fosse dizer alguma coisa brega, mas felizmente&amp;nbsp;não o fez. Apenas ficou em silêncio, mirando meus olhos com seus vivos olhos negros. Não poderia ter sido melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorgin, O Maneiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-4917329615819268844?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/4917329615819268844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/01/lolita.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/4917329615819268844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/4917329615819268844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/01/lolita.html' title='Lolita'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-3544203039622455372</id><published>2011-01-15T05:20:00.002-03:00</published><updated>2011-01-15T13:38:46.010-03:00</updated><title type='text'>- E agora? - E agora estou bem.</title><content type='html'>Sinto muito, mas a dor fez-se sucumbir. As doses letais do amor estão sendo expelidas aos poucos. O coração&amp;nbsp;se regenera lentamente. O egoísmo e a negação funcionam agora como glóbulos brancos, eles agora me protegem. Rezo para que sejam fortes o bastante e suportem esses dias finais de febre e intensa agonia, segundo o diagnóstico. Depois será preciso nutrir. Como? Como eu não sei. Me falaram que minha saúde&amp;nbsp;suporta apenas&amp;nbsp;três dessa. Estou otimista com isso, ainda restam duas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O remédio também não sei, mas&amp;nbsp;o exílio fez muito bem, obrigado. Certos lugares podem funcionar como uma Unidade de Tratamento Intensivo. Olinda foi minha UTI. Certos amigos parecem a equipe de Dr. House do seriado americano. Eles sentam, vêem os sintomas, os órgãos atingindos e o que mais couber. E só depois ajudam. Cada um com parcela de contribuição, assim como um time. Agora não me pergunte mais nada, estou satisfeito com o resultado e isso para mim basta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você que gostou de ver minha doença, não parece conformado com minha cura. Por que tantas perguntas? Por que querer me ver sangrando lentamente? Estou bem agora, não precisa mais de tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois dessa minha fase, ainda tenho (in)sanidade para os sonhos. Antes murchos como maracujá velho, agora parecem mais maçãs lisinhas, coradas e doces.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As ambições? As ambições são poucas, mas são intensas e sadias. Me assustam essas suas perguntas, está parecendo querer me colocar contra a parede. Não precisa se referir a mim nesse tom grosseiro. Bem, está certo, eu respondo essa. Eu só queria ter a chance de interpretar o Capitão Garfo (com direito ao bigode postiço, capa vermelha, chapéu semi-pontudo preto com uma pena vermelha na extremidade, sotaque carregado e rígido e, na ponta de cada mão, escondidos sob as mangas compridas, um garfo e uma faca) para meu herdeiro birrento sem vontade de comer. Ou colocar as bonecas horríveis da Barbie no fundo do congelador enquanto incentivo à&amp;nbsp;brincar pé-de-barra com os moleques na rua. Adoraria ver o garoto com a ponta do dedão ensanguentada por uma topada no paralelo da pracinha enquanto jogova bola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja bem, o sol já nasceu para mim. Não é mais necessário isso. Estou bem, cada vez um pouco melhor. Você também. Então vamos seguir assim, cada um nasceu para aquilo que hoje é. Não pode mais interferir em mim, nem eu em você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fique com tanta raiva,&amp;nbsp;você ainda&amp;nbsp;pode ser meu&amp;nbsp;amigo (no dia em que tiver enjaulado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus,&lt;br /&gt;Jorgin, O Maneiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-3544203039622455372?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/3544203039622455372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/01/e-agora-e-agora-estou-bem.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/3544203039622455372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/3544203039622455372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/01/e-agora-e-agora-estou-bem.html' title='- E agora? - E agora estou bem.'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-1371099509433411871</id><published>2011-01-05T02:02:00.002-03:00</published><updated>2011-01-10T20:21:45.992-03:00</updated><title type='text'>O Circo da Solidão</title><content type='html'>Uma vez me disseram que quando se está triste há muito mais assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reza a lenda que um dia, num circo longíquo de um interior nordestino, os dois melhores artistas do espetáculo se apaixonaram:&amp;nbsp;O Palhaço e&amp;nbsp;A Bailarina. Ou pior, O Palhaço se apaixonou pela Bailarina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo O Palhaço tentava conquistá-la com sorrisos. Mas em sua&amp;nbsp;graça não havia glamour. Pobre Palhaço. Todavia, A Bailarina soube reconhecer seus esforços, e ainda, ver nele outras atribuições brilhantes. Poderiam formar um belo casal e até que um dia finalmente formaram. Um trágico erro para o picadeiro, mas eles ainda não sabiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Bailarina era bela, adimirável, facilmente apaixonante.&amp;nbsp;Havia sutileza&amp;nbsp;em seus movimentos,&amp;nbsp;muitas curvas,&amp;nbsp;e elegância. Tinha muito carisma e um sorriso que outrora ninguém mais veria outro como este.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Palhaço, apesar da profissão, não tinha muito dom para as piadas, todavia A Bailarina ria, elegantemente sorria. Suas piadas pareciam inteligentes demais para seu público, mas não para A Bailarina. Ela compreendia tudo, e o melhor, gostava. Inerente a sua profissão, O Palhaço não tinha jeito algum com as mulheres. Nunca soube disfarçar sequer&amp;nbsp;um arroto. Mas esse era o seu charme. O Palhaço era natural, e apesar de seu disfarce, era um ser humano completamente sensível e solidário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo ocorrera de modo perfeito. Perfeito demais para ser real. Os dois agora eram um só. Passavam a madrugada contando estrelas deitados no gramado verde e aconchegante, um pouco húmido pelo clima noturno, de uma modo bastante confortável. Suas&amp;nbsp;cabeças, deitadas sob a grama, ficavam unidas e seus corpos em lados opostos. Adoravam fazer isso pois poderia conversar sussurando, olhar o céu carregado de estrelas e no ápice da paixão,&amp;nbsp;se beijariam. A Bailarina até absorveu um pouco de humor para suas apresentações, assim como O Palhaço, que agora aprendera a ser mais sutil, porém sem perder o humor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos caminhavam para o caminho certo, o auge da união. Faziam muitos planos. Planos até demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como nada nesse mundo pode ser belo o suficiente... Um novo integrante faz parte da trupe: O Mágico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não era mágico coisa alguma, fazia apenas ilusionismos chulos, mas a plateia adorava. Conseguiu conquistar cada vez mais adeptos e o circo tivera que acrescentar mais assentos. Todos o adoravam, exceto O Palhaço. O Palhaço sabia que O Mágico sempre tinha uma carta na manga. Era pobre de espírito e ninguém mais via, apenas O Palhaço. Estava se sentindo uma estrela no picadeiro. Seu camarim agora era o melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Bailarina sucumbiu aos ecantamentos do Mágico, pois este, possui a arte ilusionista da sedução. A sedução dele possui uma textura apenas externa, baseado em doces palavras, palavras&amp;nbsp;que&amp;nbsp;O Palhaço jamais dissera para Bailarina, mas sempre sentira profundamente mais que qualquer humano poderia pronunciar com qualquer que sejam as vogais e consoantes deste ou de qualquer planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pobre Palhaço, na noite anterior estava com as pupilas dilatadas de tantas juras de amor. Tudo em vão. Sumiu assim, rapidamente. Renegado pela Bailarina, O Palhaço sente a dor da traição, não essa traição carnal que humanos não cansam de comentar. Mas uma traição singela, que fez seu coração&amp;nbsp;ser perfurado por milhões de pequenas agulhinhas, cujo efeito seria capaz até de derrubar o mais sensato e racional dos humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Borrou sua maquiagem de tanto chorar. O Palhaço perdeu seu encanto. Já não tinha mais graça. Estava difícil manter o público nos assentos até que um dia simplesmente desistiu. O Palhaço queria sumir. Esquecer tudo aquilo, e recomeçar uma nova vida. Quando criança aprendera o ofício de sapateiro. Poderia ser um agora, mas lá no fundo sabia que o único sapato que sabia concertar eram os seus sapatos enormes, feitos no tamanho ideal para fazê-lo tropeçar mesmo quando não queria. Por tanto se dedicar&amp;nbsp;ao&amp;nbsp;esquecimento de sua desilusão, mais pensara nela. É natural. Numa reflexão, ele percebeu que os fracos e oprimidos fogem, pois assumem a derrota. O Palhaço definitivamente não era fraco. Era um vencedor, e um vencedor não se entrega, nao foge e jamais sucumbirá a derrota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sua longa jornada no circo, é aceito novamente. Guarda em sua mente as piadas mais sarcásticas que só sua experiência fora capaz de criar. Foi um retorno brilhante. Ainda sente um pouco a frustração do amor perdido, mas agora&amp;nbsp;fica muito bem enquanto está só. Ainda dói um pouco ver A Bailarina, mas sabe que o tempo faz mais convertidos do que a razão e até mesmo o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Mágico e A Bailarina ainda estão juntos, mas perderam a magia e&amp;nbsp;boa parte do seu&amp;nbsp;público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um grande respeito a todos que se sentem bem sob a grande lona do circo,&lt;br /&gt;Jorgin, O Maneiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-1371099509433411871?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/1371099509433411871/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/01/o-palhaco-e-bailarina.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/1371099509433411871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/1371099509433411871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/01/o-palhaco-e-bailarina.html' title='O Circo da Solidão'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-3838731374188931916</id><published>2011-01-04T22:35:00.001-03:00</published><updated>2011-01-04T22:37:59.151-03:00</updated><title type='text'>Olinda, Eterna</title><content type='html'>Já ouvi dizer que o lar do passarinho é o ar e não o ninho. Estou partindo para Olinda. Gostaria de ter&amp;nbsp;coragem&amp;nbsp;e jamais voltar. Quem sabe acertaria meus ponteiros lá? Não, melhor não. A fuga&amp;nbsp;é&amp;nbsp;a melhor alternativa para um covarde ou para quem não tem mais chances de lutar. Se bem que seria preciso muita coragem para fugir. Assim que eu chegar lá penso nestas alternativas o que apenas aumentaria meus complexos. Talvez eu nem tenha tanta vontade assim, já que tudo resulta em discursos. Se tivesse bastante vontade isso resultaria numa ação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maior motivo que me faz ir até lá é um poema de Lourenço Barbosa (ou Capiba):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Olinda, Eterna&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quisera ver&lt;br /&gt;Teu passado, Olinda,&lt;br /&gt;Quando era ainda cheia de ilusão,&lt;br /&gt;Para contemplar a tua paisagem&lt;br /&gt;Para olhar teus mares,&lt;br /&gt;Ver teus coqueirais,&lt;br /&gt;Pular na rua com a meninada,&lt;br /&gt;Brincar de roda e de cirandinha&lt;br /&gt;Depois subir a ladeira do mosteiro,&lt;br /&gt;Rezar a Ave Maria E nada mais,&lt;br /&gt;Rezar a Ave Maria E nada mais&lt;br /&gt;Olinda! Eterna!&lt;br /&gt;Olinda! Eterna!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por enquanto é apenas isso,&lt;br /&gt;Jorgin, O Maneiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-3838731374188931916?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/3838731374188931916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/01/olinda-eterna.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/3838731374188931916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/3838731374188931916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/01/olinda-eterna.html' title='Olinda, Eterna'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-3910456836825340319</id><published>2011-01-04T01:35:00.002-03:00</published><updated>2011-01-04T10:59:23.006-03:00</updated><title type='text'>Despedida</title><content type='html'>Eu sei que sou um homem que não sabe das coisas, mas sei que tenho sido um homem que apesar disso sempre busca as respostas. A diferença é que agora não buscarei as respostas nas estrelas, nos livros, nas músicas e&amp;nbsp;filmes. Começarei a ouvir os ensinamentos que meu sangue murmura em mim, ouvir os ensinamentos que os mais velhos podem dividir. Os ensinamento heriditários, que apesar de 4,5 bilhões de anos dessa existência, nada mudou, e jamais mudará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha história não é agradável, nem suave, nem harmoniosa como as histórias inventadas. Muito menos o final&amp;nbsp;é feliz. Não é um conto de fadas, não é uma ficção. Só há insensatez, confusão, loucura e sonho, assim como a vida de todos os homens que não aguentam mais mentir a si mesmos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-3910456836825340319?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/3910456836825340319/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/01/despedida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/3910456836825340319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/3910456836825340319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/01/despedida.html' title='Despedida'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-2253149791514238133</id><published>2011-01-03T10:16:00.000-03:00</published><updated>2011-01-03T10:16:09.975-03:00</updated><title type='text'>Sem título #01</title><content type='html'>Engraçado, depois de alguns anos fui reler tudo que havia nesse espaço. Me arrependi profundamente de ter tido essa&amp;nbsp;ideia estúpida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorgin, o Maneiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-2253149791514238133?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/2253149791514238133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/01/sem-titulo-01.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/2253149791514238133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/2253149791514238133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/01/sem-titulo-01.html' title='Sem título #01'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-7453686536038187717</id><published>2011-01-02T13:00:00.002-03:00</published><updated>2011-01-02T17:48:14.951-03:00</updated><title type='text'>Mal do século</title><content type='html'>Depois de alguns anos de clausura, há sempre um retorno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele tempo eu lembro que morava numa república da capital. A tendência seria de lá partir&amp;nbsp;para cima, mas não para baixo. Pois bem, voltei para casa dos meus pais, no interior. Pode rir, não tiro sua razão. O fato que é altos e baixos de&amp;nbsp;anos atrás, hoje para mim não passam de retas pouco inclinados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho escutado os mesmos sons de sempre, assistindo cada vez menos a filmes, ido cada vez menos para apresentações musicais, shows e cinema. Por outro lado, tenho lido um pouco mais (que isso não me traga mais responsbalidade na edição desse blog, já que não tenho talento algum, nem para o amor, ou melhor, muito menos para o amor).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá vendo? Por que cargas d'água citei a palavra amor nesse contexto? Não havia sentido algum comentar isso, ainda mais&amp;nbsp;referindo a um talento, e não como um sentimento como convém. Pode ser porque por mais que&amp;nbsp;tente&amp;nbsp;se enganar, por mais que&amp;nbsp;queira uma carreira brilhante, por mais que queira ser um explorador, por mais que seja bem sucedido em tudo isso, jamais será completamente feliz. Isto é, há aqueles solitários que pensam em ser feliz com isso, mas se eles tivessem experimentado um grande amor na juventude, de certo, sentiram falta e estariam agora mirabolando alguma máquina do tempo para ter outra chance. Eu posso ser uma delas ou não, quem sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em se tratar da representação deste sentimento como um talento, vem, é claro, de experiências (evidentemente posso estar errado, e devo até estar, mas só afirmarei isso quando tiver um argumento convincente). É como se um discípulo de um certo monge, que certo dia&amp;nbsp;trará uma cesta vazada (aquelas de palha mesmo) e&amp;nbsp;pedisse para o seu discípulo trazer água do riacho para o topo da escadaria do mosteiro. Mas como poderia fazê-lo? Não restaria água alguma. Mesmo assim, teria que cumprir a tarefa do monge. Fez uma, duas, três... até perder a paciência com todas as tentativas frustradas e questionar o monge a respeito desta sua atividade, pré-julgada sem propósito, inútil, etc. Como todo monge (risos), sabiamente a atividade foi justificada: "Por mais que você passe por todas as situações possíveis, boas ou más, haverá uma&amp;nbsp;sobrecargar de informações que jamais trará&amp;nbsp;resposta alguma. Mas veja a cesta, não suportou segurar a água,&amp;nbsp;porém ficou&amp;nbsp;toda enxarcada. A mente não processa ou interpreta tudo para nos dar respostas, mas as experiências ficam, e ainda assim você aprende com elas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se fui claro, acho que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como diria Confúcio (ou&amp;nbsp;Kung-Fu-Tse), filósofo chinês do século V-IV a.C.:&lt;br /&gt;"Há três métodos para ganhar sabedoria: primeiro, por reflexão, que é o mais nobre; segundo, por imitação, que é o mais fácil; e terceiro, por experiência, que é o mais amargo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a substituição do sentimento por talento se refere a habilidade. Um sentimento existe ou não existe. Não tem isso de existe um pouco, etc. Ou é ou não é. Todavia, uma habilidade pode ser intensa, mediana, fraca ou inexistente. Das duas uma, ou eu sou completamente hábil a ponto de melancolizar um filme de Almodóvar, ou pelo contrário, não tenho habilidade alguma, pois melancolizo um filme de Almodóvar. Não há mal pior que&amp;nbsp;o ceticismo, porém até mesmo o amor&amp;nbsp;que não compensa parece ser melhor que a solidão (como diria um amigo meu, "o mal do século").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que não sou um poeta, um escritor, ou compositor. Eu sei que não escrevo coisas bonitas, mas isso não faz de mim menos artista quando se trata de sentir. Eu sei também, que posso ter até mais "habilidade" que&amp;nbsp;certos cretinos que tem o dom da palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um forte abraço,&lt;br /&gt;Jorgin, O Maneiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-7453686536038187717?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/7453686536038187717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/01/mal-do-seculo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/7453686536038187717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/7453686536038187717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2011/01/mal-do-seculo.html' title='Mal do século'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-3265400006374085113</id><published>2008-08-11T02:22:00.002-03:00</published><updated>2008-08-11T02:28:47.358-03:00</updated><title type='text'>Com Um Pé No Mundo</title><content type='html'>Voltando a velha mania de recomendações... Alta Freqüência, Um bom filme do início do milênio. À primeira vista o título assusta. Parece ser somente um emaranhado de explosões, sangue e velocidade. Puro engano. Alta Freqüência, para mim, é muito mais significativo. Há uma instigante temática para contar uma história de forte impacto emocional, coisa de pai e filho. O desenrolar dos fatos provoca vários tipos de reações que realmente me envolve; ora adrenalina de uma ação bem elaborada, ora um suspense agradável, ora um drama sensibilista. Tá aí uma grande obra de Gregory Hoblit, que nem nos faz sentir as duas horas de projeção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma outra grande obra, desta vez musical, é o álbum “Eu Quero É Botar Meu Bloco Na Rua” (1973), de Sérgio Sampaio (1947-1994), um marginal da MPB. Grandes composições acompanhadas de um som prazeroso. Não dá pra passar muito tempo sem este álbum. Faixas como “Leros, Leros e Boleros”, “Eu Sou Aquele Que Disse”, “Odete” e “Pobre Meu Pai”, por exemplo, me empolgam – esta última, principalmente. Hit como o da faixa-título jamais será esquecido. Está marcado a ferro na história. Um hino ao espírito juvenil, uma revolta contra a Ditadura Militar. Esse Kavernista da Cachoeira do Itapemirim é provocador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim...&lt;br /&gt;Engraçado como sempre consigo achar algo para tirar o sono. Mesmo quando as coisas estão bem, muito bem por sinal (não ousaria citar a palavra &lt;em&gt;perfeita&lt;/em&gt; – a perfeição pra mim é uma falha). Deve existir gente que não dorme por apreensão àqueles que, por azar, nasceram em um ambiente africano hostil, outros por causa do resultado da final do campeonato brasileiro, etc. A verdade é que nada disso me afeta. Não substancialmente. Penso agora em uma coisa: pôr os dois pés no mundo, de uma só vez, com olhos vendados e respiração ofegante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega um momento em que se tem necessidade de deixar de ser menino. Não tem essa de adolescente, pré-adolescente, adulto, idoso e tal... As coisas são mais simples para mim. Existem Homens e Meninos. Só! E cheguei ao limite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que com os dois pés no chão, eu conseguiria ir mais longe. Tem que agir, deixar de perder tempo com a cabeça, pessoas medíocres e sonhos amenos inúteis. Ser simplesmente mais realista. É cruel, mas tem que encarar. Logo logo consigo um emprego, moro com alguém e faço um filho (não necessariamente nessa ordem). Aí sim, depois disso tudo, dá pra voltar a ser Menino. Ou quem sabe isso tudo é muito drama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sensação de ser alguém dependente, desta vez, me revolta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é assim que venho perdendo minhas noites, me consultando com neurologista e procurando motivos pra me dopar com tarja preta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E você aí, do outro lado, que está satisfeito com o que ganha e com o que tem, me diz qual é o segredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um Abraço,&lt;br /&gt;Jorgin, O Maneiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-3265400006374085113?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/3265400006374085113/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2008/08/com-um-p-no-mundo.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/3265400006374085113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/3265400006374085113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2008/08/com-um-p-no-mundo.html' title='Com Um Pé No Mundo'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-2823182257493211814</id><published>2008-08-10T01:23:00.003-03:00</published><updated>2008-08-10T02:23:04.089-03:00</updated><title type='text'>Réquiem Para Um Sonho</title><content type='html'>&lt;p&gt;Cecília (aquela flor),&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sinto por ter demorado tanto a escrever. Eu estava perdido, sem rumo, como se estivesse sem bússola. Vivo colidindo com as coisas, um tanto maluco, creio. O fato é que nunca estive perdido antes. Você era meu norte, meu destino. Sempre soube o caminho de casa, quando você era minha casa. Perdoe-me por ter ficado tão nervoso quando você partiu. Cometemos alguns erros e espero que não seja tarde para que Deus os repare. Mesmo assim, agora estou melhor. O trabalho me ajuda. Acima de tudo, você continua me ajudando.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Engraçado, você me apareceu em sonho ontem, com aquele sorriso que me prendia como um amante, embalado como uma criança. Tudo que lembro do sonho é uma sensação de paz. Acordei com essa sensação e tentei mantê-la enquanto foi possível. Não durou o suficiente para crer na solidão. Escrevo para lhe dizer que estou viajando rumo a essa paz. E para lhe dizer que sinto por muitas coisas. Sinto por não ter cuidado melhor de você, para que nunca tivesse um minuto de frio, medo ou aflição. Sinto por não ter buscado com afinco palavras para expressar o que eu sentia (eu falava tanto quanto um peixe). Sinto por não ter consertado a porta da varanda. Consertei agora. Sinto por ter brigado com você. Por não ter pedido mais desculpas. Eu era muito orgulhoso. Sinto por não ter feito mais elogios a tudo que vestia e ao modo como arrumava o cabelo. Sinto por não tê-la abraçado com tanta força que nem Deus poderia tirá-la. Esteja onde estiver, logo estarei contigo para acalentarmos esse pranto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com todo o amor, Jorgin.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;PS: Um dia eu fui afetuoso, uma pena vocês não conhecerem essa minha fase.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-2823182257493211814?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/2823182257493211814/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2008/08/rquiem-para-um-sonho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/2823182257493211814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/2823182257493211814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2008/08/rquiem-para-um-sonho.html' title='Réquiem Para Um Sonho'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-2283450686248849424</id><published>2008-07-18T09:29:00.004-03:00</published><updated>2008-07-18T09:40:37.418-03:00</updated><title type='text'>E aí, blz?</title><content type='html'>Sabe aquela coisa do tipo “recesso por tempo indeterminado”? Cheira a &lt;em&gt;cult&lt;/em&gt; e resolvi imitar o povo do TL da comu de LH e levar isso a sério (por favor, note a ironia). Talvez com isso e com mais algum conto de algum escritor russo (não importa qual, basta ler algo de alguém cujo nome termine com &lt;em&gt;“vsky”&lt;/em&gt; ou coisa parecida, que em seguida há um acréscimo de pontos em meu QI, mudo minha tribo, uso calças &lt;em&gt;jeans&lt;/em&gt; com &lt;em&gt;all-star&lt;/em&gt; e uma camisa &lt;em&gt;pool&lt;/em&gt;, minhas conversas com estranhos serão resumidas à vômitos de piadas “inteligentes” essencialmente fundamentadas no teor sarcástico-vulgar-ofensivo que sempre dará a impressão de superioridade e me convidarão com freqüência para a boemia da Augusta – pseudos FDP).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, a verdade é que eu precisava de uma viajada, literalmente. Não sabia, por fim, se dava um saque em BSB ou SSA. Como o R$ é curto, fui parar em SSA, que é aqui mesmo no NE. Além disso, não queria ficar de tocaia no DF; todavia, seria &lt;em&gt;cool&lt;/em&gt; curtir um pouco de MCA por lá, enfim... (engraçado uma orações assim, repletas de conjunções coordenativas, tem um quê de inexperiência e falsa clareza de idéias, o que não é mentira).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro motivo que me levou a esta escolha é o fato de ter alguns poucos BFF’s (não entenda isso como um modo EMO de agir) naquelas bandas (ressalto aqui a presença da Ju, da Bia e do Jr., um abç pra vocês). E como não os via faz tempo (somente MSN), seria uma boa oportunidade. Então peguei o buzu, segui por umas 3 ou 4 hs a BR com meu surrado MP3 e meus fones originais do MF. No caminho escutei apenas o velho e bom HRock de AC/DC, um pouco da MPB de Sérgio Sampaio e, por fim, o irreverente e refinado MangueBeat de MLSA até que curiosamente o &lt;em&gt;superbonder&lt;/em&gt; que havia colado o &lt;em&gt;plug&lt;/em&gt; a umas 2 semanas, se rompe. Resultado, tive que me adaptar às FM’s que o cel captava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda aquela coisa da BA me fez bem, afinal de contas trocar um vatapá pelo rango do RESUN da UFS quebrou a rotina e me deu mais cals, se bem que no fim das contas, só fiz gastar mais e mais ATP’s.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora estou aqui de volta a rotina de Aju analisando os fundos de investimento do FMI para a prova de Macro que terei em breve. Pqp!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Att,&lt;br /&gt;Jorgin, O Maneiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-2283450686248849424?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/2283450686248849424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2008/07/e-blz.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/2283450686248849424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/2283450686248849424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2008/07/e-blz.html' title='E aí, blz?'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-4343686729708282854</id><published>2008-06-08T01:53:00.000-03:00</published><updated>2008-06-08T02:03:34.358-03:00</updated><title type='text'>Cuidado, Inimigo!</title><content type='html'>Diferente das outras ocasiões, hoje me reservo o direito de, além de indicar um filme e um álbum, indicar uma bebida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro o filme, como de costume. The Elephant Man (O Homem Elefante). Fabuloso filme inglês de 1980, em preto-e-branco, diga-se de passagem. Dirigido por David Lynch e como protagonista o grande John Hurt que interpreta majestosamente cada expressão facial de John Merrick, personagem com 90% do corpo absolutamente deformado devido uma rara doença genética, justamente por isso o longa leva este título. Baseado em fatos reais, o filme narra uma transformação na vida de John Merrick (1962-1980). Sempre injustiçado e usado como atração de circo, apesar de todos os empecilhos, nada o deteve, nem a alimentação baseada exclusivamente em batatas e muito menos a seqüência de surras que freqüentemente levava. Proprietário de uma alma louvável, John finalmente recupera sua dignidade com ajuda do Dr. Treves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas cenas vou deixar por aqui para que você, caro leitor, fique realmente embriagado.&lt;br /&gt;Quando Mrs. Kendal recita Romeu e Julieta aos prantos com John Merrick. Mrs. Kendal, emocionada com o instinto dramático de Merrick, olha para seu rosto desfigurado e diz: "Você não é o Homem Elefante... Você é Romeu!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra é a morte mais poética que lembro ter visto numa tela. A passagem da morte de Merrick se baseia numa visão de estrelas e a única lembrança verbal que tem de sua mãe: “nada jamais morrerá” e então, por fim, finalmente resolve deitar em seu travesseiro como uma pessoa normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem uma relação clara com o filme, indico o Sergipano com “S” maiúsculo, Nino Karva e seu álbum Mangaba Madura. Fortemente regional, o álbum traz samba de côco, repente, forró, com composições realmente brilhantes. Destaque para “Ribeira” onde há uma brilhante letra, um pandeiro e uma gaita blues-rock, “Nos Mercados” e “Côco De Luthier” que rola até um brasileirinho no cavaquinho. No Forró-Caju, nos mercados, Nino Karva e Siba e A Fuloresta vale um esforço para comparecer. Se alguém quiser o álbum, ficaria feliz em passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E finalmente (estou realmente cansando de indicar obras, às vezes penso que não vale o esforço, afinal, cada um sabe o que melhor pra se ver e ouvir, mas por outro lado, particularmente, fico feliz em receber uma indicação de alguém que valha a pena – espero que eu valha a pena) a bebida. Vou ser o mais breve possível nesta. Licor de Rosa. Eu não conhecia (até hoje) e realmente, apesar de geralmente não gostar destas grandes concentrações de álcool hoje me fez bem. É que hoje estou amargo demais pra beber cerveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas essa minha amarguez tem sentido, pelo menos para mim. Talvez seja absolutamente o oposto. Pois bem, acho que ninguém gosta de ser quase roubado, exceto eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem um ditado popular que diz: “Quem vê cara, não vê coração”. Desculpe, mas não posso concordar. Pode até ser que seja um dom meu de enxergar na face uma personalidade, mas de uma forma ou de outra não se encaixa a mim.&lt;br /&gt;Estava na capital desde a segunda e hoje pela manhã (sábado) fi quei apreensivo. Nada verdadeiramente excitante havia acontecido nesta semana. Que tolo. A semana ainda não tinha acabado. Havia tempo e de sobra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar no terminal de ônibus, bastante movimentado, e cercado por uma grande mochila nas costas que guardava alguns livros, apostilas, notebook, calculadora científica e mp4 além da mala com algumas roupas seguradas pela mão esquerda, me deparo com um cidadão observador sentando ao banco de concreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então um conflito interno surge. Por um lado eu pensava: “Jorgin, se ligue. Aí é lanceiro e tá de olho”, e por outro: “Cara, pode ser um falso julgamento, uma falsa impressão, que pena esse preconceito”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu sabia que lá no fundo, a primeira intuição vinha sempre à tona. Aquela tatuagem no braço esquerdo, o lado direito da face um pouco deformado devido alguma colisão. Bem, a tatuagem é bem comum, mas não naquele cidadão. Os hematomas na face poderiam ser fruto de um acidente, ou uma surra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tive uma idéia brilhante. Vou testá-lo. Serei a isca perfeita. Se este cara resolver roubar alguém, será a mim. E então saberia se meus instintos faziam jus ao próprio Jorgin. Então sentei ao seu lado e corajosamente abri aquela mochila suculenta, peguei o mp4, os fones, fechei e me pus a ouvir &lt;em&gt;Krig-Há-Bandolo&lt;/em&gt; de Raul Seixas, com uma categoria digna de turista decisivamente &lt;em&gt;vacilão&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os discursos nos olhares eram claros. Ele observava aquela mochila, como um goleiro olha para a bola na hora do gol. Queria pegá-la. Mas ao mesmo tempo em que eu, &lt;em&gt;esperto-imbecil&lt;/em&gt;, estava de cara pra cima, eu estava na dele. Meu instinto parecia estar certo. Mas ainda nada acontecera.&lt;br /&gt;Meu ônibus chega e perco totalmente a concentração nele. Enquanto os tripulantes desciam da senzala ambulante &lt;em&gt;Marcos Freire II – DIA&lt;/em&gt;, eu aguardava “ansiosamente” minha vez de subir e me dirigir à rodoviária e assim às minhas raízes por pouco mais de uma hora e meia friamente calculadas de viagem. Absolutamente tranqüilo e sem esperar nada mais, alguém se aproxima. De relance apenas noto uma aproximação desconfortável. Algo próximo de um &lt;em&gt;acochamento&lt;/em&gt;, porém havia uma grande mochila entre mim e aquele sujeito que ainda não sabia de quem se tratava, logo, qualquer tipo de viadagem está descartada. Mas ainda assim, naqueles dois segundos meus neurônios afloraram e mil coisas passavam sob minha cabeça. Nenhuma delas era a possibilidade de um furto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No terceiro segundo aproximadamente, escuto em Mi bemol (ou apenas Mi, meu ouvido não é tão preciso quanto aos semi-tons, mas ainda assim, apostaria no Mi bemol ) um &lt;em&gt;zipper&lt;/em&gt; a abrir e realmente sinto uma pequena pressão aumentar sob minhas costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rapidamente viro. Solto furiosamente algumas palavras cabulosas e por meio segundo quis matá-lo ali mesmo, na frente de todos. Mas as palavras foram o suficiente, infelizmente. O rapaz sai de fininho com uma cara de culpa no cartório, verifico rapidamente se algo sumiu, minha mochila ainda aberta me deixa um tanto quanto desorientado. Tudo estava lá. Acompanho cada passo do indivíduo. Acreditei que não iria ganhar nada em ir atrás do dito cujo e tomar satisfações. Sua aparência não me enganou. E tão pouco erraria novamente com aquele. Era aparentemente (e certamente) broco. Apesar de ser mais alto e uns dez anos mais velho que eu, me garantia numa troca de socos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, isso me deixou com uma estranha e apreciável felicidade.&lt;br /&gt;Descobri que posso confiar em meus instintos, que certas verdades absolutas não cabem a mim, nada sumiu e ainda dei uma de &lt;em&gt;pseudo-valentão-doido-pra-quebrar-a-cara-de-alguém&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vou rezar para que você assista O Homem Elefante, ouça Nino Karva e beba Licor de Rosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorgin, O Maneiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: o uso da terceira pessoa para me referir a mim mesmo é prova do meu egocentrismo, mas quem disse que o Jorgin não é egocêntrico?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-4343686729708282854?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/4343686729708282854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2008/06/cuidado-inimigo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/4343686729708282854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/4343686729708282854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2008/06/cuidado-inimigo.html' title='Cuidado, Inimigo!'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-6680556410113980131</id><published>2008-05-24T11:14:00.000-03:00</published><updated>2008-05-24T11:56:46.585-03:00</updated><title type='text'>Cabeça de Minduim</title><content type='html'>Deitados ao chão, num parque, Lucy cogita:&lt;br /&gt;- Não são lindas as nuvens? Parecem bolas enormes de algodão. Eu podia ficar aqui o dia inteiro observando elas se mexerem. Se a gente usar a imaginação, ver uma porção de coisas nos formatos das nuvens. O que é que você acha que vê Linus?&lt;br /&gt;- Bem, aquelas nuvens lá em cima parecem o mapa das Honduras Britânicas lá no Caribe. Aquela nuvem ali me lembra um pouco O Pensador de Rodan, aquela famosa escultura. E aquelas nuvens lá em cima, me fazem lembrar as ruínas do Barguenan e eu vejo o apóstolo Paulo de pé lá do outro lado.&lt;br /&gt;- É. Isso é bonito. E o que é que você vê nas nuvens, Charlie Brown?&lt;br /&gt;- Bem... Eu ia dizer que vi um patinho ou um cavalinho, mas mudei de idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o nosso Charlie Brown, figura singular deste planeta. Criado por Charles M. Schulz em meados dos anos 50, a turma do Peanuts, pra mim, é uma das obras mais expressivas e uma das que mais me traduzem. O Charlie tem uma personalidade e alma impressionante. Ao mesmo tempo em que o garoto parece sofrer com uma velhice precoce, tem traços de uma infância bem resolvida e vivida.&lt;br /&gt;Esse trecho inicial retirei do longa chamado “Um Garoto Chamado Charlie Brown”. Além de toda a qualidade e poesia que Charlie Brown aspira, há ainda a trilha sonora. Jazz! Isso mesmo, toda a trilha sob a responsabilidade do saudoso Vinci Guaraldi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Admiro o Charlie devido sua complexa personalidade para uma animação, tiras e afins. Apesar de toda a frustração que esse garoto tem, ainda sobra espaço para o humor, brincadeiras e perseverança de um grande humano. O Charlie é muito mais humano que muito humano.&lt;br /&gt;Quando eu crescer quero ser o Charlie Brown.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que não falei o suficiente, mas acho que até você foi capaz de me entender. Então tá bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei um tempão sem escrever, ou algo parecido, por que estava absolutamente debilitado. Minha velhice precoce vai além da personalidade e do modo de ver a vida. Tenho medo. Mas vai ser preciso muito mais pra me derrubar, porque embora eu seja um desacreditado, ainda sim sou um bom vivedor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa diferente aconteceu. Poderia ser muito mais. Mas muito mais mesmo!!!&lt;br /&gt;Devido o meu estado de saúde, tive que voltar ao aconchego do lar e nesse meio tempo, uns parentes precisaram do apartamento aqui na capital. Como disse, eu estava no aconchego do lar. O Alan, nesta semana, estava preocupado demais como um poeta louco americano e não apareceu por lá. O outro tinha um congresso em outro estado, enfim. Só estavam meus parentes.&lt;br /&gt;Eu deixei bem claro que tudo que tinha lá era permitido o uso sem justificativas. E hoje, quando chego, me deparo com uma carta e quatro reais à amostra em baixo do jarro formado por flores descaradamente artificiais (não sei como esse jarro apareceu lá, mas ele me faz comprovar que Deus existe e por isso nunca o tiro de lá. Afinal de contas, é a única conclusão que se pode chegar ao comparar as flores naturais com estas. Eu não posso chamar de cópia ou imitação. Não consigo encontrar outra expressão que transcreva essa coisa, exceto os sinônimos de “descaradamente artificial”. E vendo isso, eu penso que se alguém consegue vender uma coisa dessas, eu posso ir muito mais longe).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transcrevendo a carta:&lt;br /&gt;Jorgin, estou deixando R$ 4,00 para repor a água. Não compre porque ainda tem um pouco no garrafão.&lt;br /&gt;Seu tio Alberto.&lt;br /&gt;Obs: tem um pacote de açúcar que eu trouxe aberto na porta da geladeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso me fez transbordar de alegria. Não por causa do dinheiro da água, ou por causa da cuidadosa&lt;br /&gt;observação, mas pelo afeto que está nas entrelinhas. É comovente. De certo, me fez rir (o que é relativamente raro) e preencher meus olhos com um líquido salgado e incomum para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente, para achar isso brilhante e de amabilidade curiosa só eu, infelizmente. Bizarro para a maioria, provavelmente. Essa carta, como coisas bestas que vejo por aí me inspiram e fazem pensar que o mundo tem solução (por um instante somente).&lt;br /&gt;É comovente demais, parece patético, mas eu não estou te obrigando a ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem duas ocorrências que vi em ônibus e que já fazem mais de 6 meses, mas custo esquecê-las e não quero.&lt;br /&gt;Uma e a mais marcante foi um senhor com seus 65 anos aproximadamente e um provável neto, que já carregava uns 8 anos. Estavam do meu lado. E como eu não tinha nada de importante para fazer no ônibus eu abaixei o volume ao mínimo do mp4, olhei fixamente para a frente e me pus a prestar toda atenção que poderia prestar depois de um dia exaustivo, assim como os outros. Não consigo lembrar do conteúdo da conversa e tampouco seria significante. O que pude aspirar foi a conversa em si. A comunicação entre os dois era deslumbrante. Me deixou rigorosamente estático. A diferença aparente de 57 anos não dizia nada. Conversavam no mesmo plano, como se fossem duas pessoas e uma só alma. Os humanos, eles podem ser tão brilhantes. O que é uma pena é como eles são incompreensivelmente cegos e não conseguem notar o que são capazes de fazer sem o mínimo esforço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso e por outras coisas afirmo convictamente que não sou humano, embora tenha nascido (aparentemente) neste planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora me sinto estranhamente feliz e não quero estragar isso por nada. Vou parar por aqui, antes que seja tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calorosamente abaixo de toda essa tempestade e dois edredons,&lt;br /&gt;Jorgin, O Maneiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: agora consegui relacionar de alguma forma desconhecida esse meu estranho dia para se ter alegria, com Jorge Ben. Talvez por que ele nunca fez uma composição que não seja alegre. Não sei ao certo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-6680556410113980131?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/6680556410113980131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2008/05/cabea-de-minduim.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/6680556410113980131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/6680556410113980131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2008/05/cabea-de-minduim.html' title='Cabeça de Minduim'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-2124164270350283322</id><published>2008-05-17T15:50:00.000-03:00</published><updated>2008-05-17T16:16:18.012-03:00</updated><title type='text'>Elevador Vazio</title><content type='html'>&lt;p&gt;Pra não cair na rotina, desta vez não acabei de assistir nenhum filme, mas para não perder o costume vou recomendar um que assisti ontem aqui, sozinho. Chama-se &lt;strong&gt;O Clube da Leitura de Janes Austen&lt;/strong&gt;. Bem, a primeira pergunta que se faz é: quem, por cargas d’água é Janes Austen? Clareando um pouco, digo que é “considerada” (entres aspas, por favor) a segunda maior e mais influente escritora inglesa, a primeira colocação, todos devem saber, fica com Sheakespare. Acho que não preciso comentar a respeito dessas ‘listinhas’ que se referem a ‘Best-Sellers’ ou aqueles famosos ‘The Best Of’. Ou pior ainda, ‘Os 100 Melhores Filmes do Século’. Essas coisas servem só como referência, pelo menos pra mim. Não dou valor considerável algum. Voltando ao filme, assista! Não se trata de um filme ‘retrô’ no cenário de séculos passado. Se trata de um grupo de mulheres com problemas singulares que se juntam neste clube, que por ventura, um homem entra. Parece ser um tanto fútil, mas não é. De certo eu consigo extrair um belo sentido em qualquer merda, mas essa não é qualquer merda.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Banhado pela influência das ‘fêmeas sonhadoras’ (abro parênteses aqui para explicar um pouco desse meu termo. Acho isso brilhante, sou entusiasmado por essas fêmeas. Parece ser uma citação machista, com um cunho meio preconceituoso, mas é exatamente o oposto. Conheço essas fêmeas de longe e sinto uma atração – não sexual, exatamente – inexplicável e inquestionável. Paixão, amor platônico ou qualquer outra palavra de qualquer outro vocabulário não se encaixa bem nisso, mas deixo que você o considere), ouço &lt;strong&gt;Carla Bruni&lt;/strong&gt;. Sabem quem é, não é? Incendiário isso! Além de ser uma pessoa super-agradável (deixo a responsabilidade desse comentário para a rainha inglesa), essa francesinha linda canta suas músicas autorais com um suspiro-rouco-baixo-ultra-mega-sexy. O álbum que ouço é o &lt;em&gt;‘Quelqu'un M'A Dit’&lt;/em&gt; (Alguém Me Disse) de 2003 (atenção extra para a oitava música, &lt;em&gt;Le Plus Beau du Quartier&lt;/em&gt;, tem um vídeo desta de um show publicado no youtube, assista e me diga o que achou daquela coisinha magnífica assoviando como um pássaro afinadíssimo raro que nunca se viu seu ninho em canto algum deste planeta). Se Deus me deixasse escolher uma pessoa para eu passar 24 horas em contato e logo após morresse, SEM dúvida, essa pessoa seria Carla Bruni. Morreria feliz e esqueceria todo esse blá blá blá de frustração de meia tigela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sem mais meias palavras e delongas...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A algumas horas eu estava numa festa regado a amigos, garotas, bebidas e cigarros. Foi numa quarta. Eu posso ser louco, mas nem tanto. Participei (claro), mas sem exaltação, pelo pouco de sanidade que ainda me resta. A situação que quero descrever não diz respeito à festa, mas sim ao que houve após ela.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Já era tarde, tudo tinha ido embora, o que restou foram os efeitos da &lt;em&gt;boemia&lt;/em&gt; e o cheiro de cigarro nos cômodos. Já eram umas 4 horas da manhã e me deparo com um choro ao longe. Estranho isso depois de uma ‘animada’ festa. Mas sou curioso e fui conferir. Olha lá quem era: o ‘pegador’ deitado no chão aos prantos, como um recém-nascido que acabou de sair de um útero confortável e quentinho. A primeira reação minha poderia ser a de rir, a de qualquer um seria isso. Mas eu sou estranho. Fui dar atenção como quando se dá a uma criança que caiu no parquinho e ralou o joelho.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;“Que houve, velho?”&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Perguntei por perguntar, qualquer um saberia que a única razão para tal pranto só poderia ser uma fêmea (desta vez não como aquela que sou regado de paixão). Não ousaria chamá-la de vadia porque não seria justo com ela, já que o que me influenciara era o estado ‘cachorro-bêbado-aos-prantos’ do amigo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;“Jorgin, me empresta o celular!”&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um ser normal diria: “Só se eu for louco! Veja seu estado!”. Mas isso não se enquadra a mim. Fiz o seguinte. Disse a ele: “Olha só, todos bebemos e não estamos exatamente conscientes. Então vá lavar o rosto, beber uma água, forçar essa voz de moça e pegue o celular em cima da geladeira”. Era o que um bom amigo faria eu acho. Dei a chance dele fazer o que queria no estado de mais pura sinceridade e criatividade.&lt;br /&gt;Fui tomar um banho e 20 minutos depois ouço umas risadas. Não, ele não vai ficar com ela, mas o pior já passou! O final do filme foi feliz, não o quanto queríamos, mas foi. Pelo menos naquele instante.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tem mulheres que fazem coisas estranhas (no sentido ruim). Com essas não consigo ter o mínimo afeto, no máximo um &lt;em&gt;atletismo&lt;/em&gt;. (Assim como não suporto os carinhas que conheço de infância e hoje faço questão de virar meu rosto aos vê-los passar).&lt;br /&gt;E é com episódios como esses, que de um estado de profunda melancolia (sem viadagem), como um poeta que envelhece lendo &lt;em&gt;Mayakovsky&lt;/em&gt; na porta de uma alguma conveniência, que aspiro a coisa que vale a pena. Porque até mesmo um copo vazio está cheio de ar. Se não, chega a morte ou coisa parecida e aí?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Oras, afinal de contas, ser tão só quanto um elevador vazio tem seu lado positivo... Eu sei que se mesmo que a vida não me trate com amor, insisto em viver.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Caro leitor, peço desculpas pelo tédio e a falta de conteúdo atraente. Como forma de arrependimento, e uma maneira objetiva de demonstrar minha desgraça nesse pasmo literário, espero que aceite este humilde e sincero &lt;em&gt;bouquet&lt;/em&gt; de parênteses recém-desabrochados com um perfume ímpar e impagável: (((())))&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com açúcar e com afeto,&lt;br /&gt;Jorgin, O Maneiro&lt;/p&gt;&lt;p&gt;PS: Ganhei um &lt;em&gt;bouquet &lt;/em&gt;desse pela primeira vez com J.D. Salinger, no conto &lt;em&gt;"Seymour, Uma Apresentação".&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-2124164270350283322?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/2124164270350283322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2008/05/elevador-vazio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/2124164270350283322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/2124164270350283322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2008/05/elevador-vazio.html' title='Elevador Vazio'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-4170247683407231866</id><published>2008-05-09T00:33:00.000-03:00</published><updated>2008-05-09T00:37:00.733-03:00</updated><title type='text'>Man Vs. Wild</title><content type='html'>Crossroads. Recomendo! Excelente filme. Dirigido por Walter Hill, rodado em 1986 e tem como protagonista Ralph Macchio – aquele carinha do Karetê Kid, o pivete –, que interpreta um garoto branco da classe alta que quer ser um bluesman. Mas pra isso, não basta tocar um blues, tem que viver o blues. E conhecendo o velho gaitista Wille Brown, amigo do finado-saldoso-bluesman-fodão-do-capeta Robert Johnson, ele chega à encruzilhada e sente o blues além dos acordes com sétima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inspirado pelo filme, ouço Robert Johnson, aquele velho blues do Delta do Mississippi. Algumas literaturas afirmam que foi assassinado por tiros, outras que bebeu wiski envenenado, que foi espaçando e tal e a lenda persiste. Entre um mito e outro, só posso firmar uma coisa: ele realmente morreu! Mas o que seriam das grandes personalidades sem os mitos? Não me importo com isso, mas sim com a obra. (Caro leitor, não te peço para ler nada. Até sei que é chato, mas se prefere continuar, é por sua conta e risco.) É em palcos de madeira, meio comidos por cupins, é que se tenta mudar o mundo. Já toquei em desses, mais ainda não um blues.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudando do cuzcuz de milho batido pela dona de mãos encantadoras para uma Baden Gold gelada num solzão da praia do Saco de um dia de domingo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O assunto é sério e minha carne é mansa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez poucas pessoas me entendam. Como (mal) sabem, moro de um certo modo só. Isso tem os pontos positivos e negativos. Realmente ainda não sei se vale a pena, mas como forma de experiência e conhecimento de vida, é graciosamente agradável (bem sei que tenho alguns ‘luxos’, como não me sustentar financeiramente por exemplo, mas vale. Filmes como esse que acabo de assistir – se bem que um homem não se mede pela quantidade de filmes que assiste, mas sim com a quantidade de trabalho – me mostram que tenho que passar por isso e por coisa pior, e é o que venho buscando. Não que eu sinta prazer em sofrer, como é mesmo que se chama? Ah! Sadomasoquismo. Não é isso mesmo! Mas é quero um dia plantar uma árvore, escrever um livro, gravar um álbum e ter um filho, ou mais, de preferência. Para árvore quero fazer uma jangada, não uma jangada comum e bonitinha, mas um que me faça tremer os joelhos quando vê-la. Do livro espero que somente as pessoas que façam parte de minha vida o tenham, nem precisa ler, afinal de contas sou péssimo nessas coisas, você sabe disso. Do álbum espero escutá-lo todos os dias, é evidente que não vou cantar, só quero vibrar a cada pizzicato, thumb e slap que eu executar. E finalmente – agora sim cheguei onde você talvez me entenda na parte que antecede esse parênteses imenso e fabuloso que estou prestes a fechar, aliás, esse está sendo o parênteses mais importante da minha vida – do filho ou filhos, espero ter muitas, mas muitas mesmo, histórias para contar. Tanto fatos surreais, quanto sonhos reais, entre um e outro estão dentro os delírios e as frustrações).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caríssimo, deve estar cansativo, talvez até desagradável. Estou lento e não cheguei nem a uma milha de distância. Mas se você chegou até aqui, seja forte e continue. Não sei a causa que te fez chegar aqui, mas... Esquece, em suma, continue!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a um tempão atrás eu estava escrevendo, moro só e pan e tal... Uma coisa me chamou atenção a pouco tempo atrás. Sou um sujeito que até algumas horas me considerava preparado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, vim do interior morar na capital (não que seja uma capital escrita com letras de fôrma, mas é aqui onde as coisas crescem nesse estado), e como dizia Raul Seixas, “ao chegar do interior inocente, puro e besta”. Na língua aracajuana eu não sabia falar um “oi” ou dar um “tchau” com a mão. Aprendi muita coisa nesse meio tempo. Aprendi que não se deve confiar em motoristas de ônibus, por que eles não têm mães. Aprendi também que um macarrão só está no ponto quando o arremessamos no azulejo e ele gruda. Aprendi que não se deve fazer cobrinha perto de um canal de esgoto e por aí vai... Extraindo o importante disso aí eu pensava que sabia “me virar”, que já era “crescidinho” e estava virando “alguém”. Mas uma coisa me fez refletir (filosofia barata, na verdade). Puta que pariu!!! Me deu uma dor de barriga miserável. Minha barriga parecia aquelas de um alemão pós-segunda-guerra-gordo, uma boina verde com uma pena branca na cabeça, um par de botinas nos pés e um calção também verde segurado por alças que atravessam os ombros, sendo que em sua mão esquerda está um canecão enorme de vidro com chopp até a beirinha e sua outra mão limpa a espuma do chopp em sua bigode grisalho. Consegue imaginar a dimensão? Passei mesmo mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu sou “grandinho”, “sei me virar”. E agora o que faço? A quem recorro? Não posso sair no meio da madrugada para comprar remédio a quase meio quilômetro de distância nessas condições, nem sei mesmo o que devo tomar. Eu já rezei. Me deitei, sentei, levantei, pulei (esta última só fez piorar) e nada. Merda !!! Também não saia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora só pensava em uma coisa, ligar pra minha mãe =/ (desculpe por este “emoticon”, mas estou sem graça e adoraria que você não fizesse comentário algum). Mas ela está a quilômetros de distância, não poderia me ajudar. No máximo indicar algum que remédio que só ela sabe que me dou bem, mas mesmo assim eu não sairia para comprar. O fato é que a voz, a preocupação que só uma mãe tem, me traz um suspiro e enche meus olhos de lágrimas (como estou agora) e isso me dá esperança. Vai passar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pude vencer o “selvagem”. Perdi. Minha carne mansa perdeu. Ainda sou um quase nada e estou longe de conquistar alguma coisa. Se não fosse esta dor de barriga iria demorar mais para perceber isso. Senhor, muito obrigado por esta dor de barriga fabulosa no momento mais importuno. Obrigado também por ter um telefone celular e por minha mãe ter acordado. E obrigado pela minha cabeça oca de cabelinho de sapo.&lt;br /&gt;Não quero e nem posso me exceder mais. Já já tenho que estar de pé para gritar ao mundo da varanda do apê que sou um lobo louco enfrentando o habitat que não deveria fazer parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cordialmente (como nunca),&lt;br /&gt;Jorgin, O Maneiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-4170247683407231866?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/4170247683407231866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2008/05/man-vs-wild.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/4170247683407231866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/4170247683407231866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2008/05/man-vs-wild.html' title='Man Vs. Wild'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-2273823869501592663</id><published>2008-05-01T04:24:00.000-03:00</published><updated>2008-05-01T04:38:50.508-03:00</updated><title type='text'>Strawberry Fields Forever</title><content type='html'>Bem, a pouco cheguei ao nono (talvez último, não sei bem) episódio da 4ª temporada do melhor seriado norte americano que já pude assistir, Lost. Melhor até que Heroes. Lost é viciante e envolvente e a Kate, a sardenta mais sexy que já vi, é um colírio.&lt;br /&gt;Agora estou na república. Alan e Mael dormem como bebês e eu estou aqui, sóbrio, mas nem um pouco lúcido. Ouço o álbum Guentando a Óia (1996) da banda “pernambucana” Mundo Livre S/A. Pernambuco sempre me surpreende, sua cultura, seu povo, tudo isso reflete na musicalidade de alguma forma, e Mundo Livre S/A – diga-se de passagem, melhor representante do movimento manguebeat – sou eu encarnado em notas musicais e muito samba groove.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tranquilo? Vou ao que não te interessa.&lt;br /&gt;Tenho sonhado com freqüência, ou no mínimo lembrado dos sonhos ao acordar. É sempre estranho isso – tá aí uma palavra que conheço de perto.&lt;br /&gt;Eu sou composto de frustrações e dores, isto favorece os sonhos. Essa é minha fraqueza... e minha força.&lt;br /&gt;Os sonhos são como os morangos, delicados e apreciáveis. E imagino que, no leito de morte, à beira de um precipício, em seu último passo, só se pode pensar em uma coisa: nos seus campos de morango, aqueles que você cultivou durante toda a vida. Os sonhos na verdade, são doces como morangos. E perto da morte eu só quero provar um único morango que cultivei, pra parar de pensar em todo o resto, e manter a concentração no paladar, na doce poesia que posso degustar naquele morango carnudo e avermelhado. Pra não sentir dor. E aí? O que eu fiz? Não quero que meus sonhos murchem feito maracujá velho.&lt;br /&gt;Lembrei de uma música de Oswaldo Montenegro, A Lista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Faça uma lista dos sonhos que tinha,&lt;br /&gt;Quantos você desistiu de sonhar?&lt;br /&gt;Onde você ainda se reconhece?&lt;br /&gt;Na foto passada ou no espelho de agora?&lt;br /&gt;Hoje é do jeito que achou que seria?&lt;br /&gt;Quantos amigos você jogou fora?&lt;br /&gt;Quantos mistérios que você sondava?&lt;br /&gt;Quantos você conseguiu responder?&lt;br /&gt;Quantos segredos que você guardava,&lt;br /&gt;Hoje são bobos e ninguém quer saber?&lt;br /&gt;Quantas mentiras você condenava?&lt;br /&gt;Quantas você teve que cometer?&lt;br /&gt;Quantas canções que você não cantava,&lt;br /&gt;Hoje assovia pra sobreviver?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra mim isso é trágico. Eu só quero o gosto forte do morango em minha boca, não quero pensar em voltar no tempo, nem ficar me lamentando por aí. Tenho que seguir a trilha certa. Essa trilha só se segue quando não se pensa muito. Quando se faz por instinto, quando segue aquilo que realmente é e não aquilo que quer ser.&lt;br /&gt;Isso é minha fraqueza que me faz mais forte.  É uma faca de dois gumes. Cultivar morangos é ótimo, alimenta a alma, mas ao vivo a vida pode ser bem pior.&lt;br /&gt;Eu tento seguir a máxima de Wally Salomão: “Eu tenho os pés no chão, mas a cabeça eu gosto que avoe”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero meus campos de morango para todo o sempre. Quero lembrar de cada semente, cada furo na terra, cada dia que levantei cedo e reguei com cuidado, cada fruto que deixei cair, cada fruto que compartilhei com os outros, aqueles que peguei com meus pais e amigos, os que apodreceram, quero lembrar de cada praga e como detê-las. Quero lembrar das dificuldades de cultivá-los e dos lucros que podem me dar, sem esquecer das chances de prejuízo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amigo, se teu próximo passo for o último e você olhar para o lado e não ver nenhum campo de morango, a dor será tudo que te restará.&lt;br /&gt;E se você for um sonhador, guarde um sonho bom pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Sinceramente, às vezes sonhar cansa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O sonho ainda não acabou”&lt;br /&gt;Jorgin, O Maneiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-2273823869501592663?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/2273823869501592663/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2008/05/strawberry-fields-forever.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/2273823869501592663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/2273823869501592663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2008/05/strawberry-fields-forever.html' title='Strawberry Fields Forever'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-732944754644028452</id><published>2008-04-25T00:51:00.000-03:00</published><updated>2008-04-25T00:53:16.283-03:00</updated><title type='text'>Conhaque, Mel e Limão</title><content type='html'>Acabei de assistir Dersu Uzala, um clássico de 1974, com a direção de Akira Kurosawa. O filme mostra a brilhante alma de Dersu e assim, abro parênteses para essa passagem:&lt;br /&gt;Soldados param para se divertir tentando acertar um tiro numa garrafa em movimento amarrada em uma árvore.&lt;br /&gt;Dersu, que os acompanha na expedição, não entende:&lt;br /&gt; - Por que atirar?&lt;br /&gt; - Só para nos divertir. Um passo para atrás, Dersu.&lt;br /&gt; - Desperdício de balas, ruim.&lt;br /&gt; - Que desperdício? Somos soldados, estamos praticando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três deles tentam e não conseguem, então Dersu fala:&lt;br /&gt; - Um bom atirador não perde.&lt;br /&gt; - Vá em frente velho, tente você.&lt;br /&gt; - Por que atirar e quebrar? Por que quebrar? Onde na floresta você vai achar uma garrafa?&lt;br /&gt; - Está tentando desistir? Admita que não quer fazer isso.&lt;br /&gt; - Não vou atirar na garrafa. Atirarei na corda. Se a garrafa cair, você me dá a garrafa.&lt;br /&gt; - Atirar na corda? Vá em frente! Se você acertar a corda, encherei a garrafa de vodka.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então colocam a garrafa em movimento pendular, Dersu acerta a corda, pega a garrafa e à noite está bebendo e cantando sozinho iluminado por sua fogueira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do filme passo a escutar o saudoso álbum Lucille, datado de 1968, do bluesman B. B. King. Lucille é o título da primeira música e é como B. B. King chama carinhosamente sua guitarra.&lt;br /&gt;Muito bom isso tudo, mas... De vez em quando, é bom falar dos fracassados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho pensado ultimamente em o quanto vale uma amizade. Ou melhor, em o quanto vale perder uma amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo dito na hora errada é motivo para um rompimento?&lt;br /&gt;Um conhaque com mel e limão reataria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Êta vidinha besta, meu Deus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Humanos... Eles complicam as coisas, gostam disso. São os mais racionais possíveis. É a única inteligência que os interessa.&lt;br /&gt;Particularmente, dou muito valor aos amigos, muito mais do que merecem. Quando há um rompimento perco minha dignidade e chego até a me humilhar. Não me importo, só quero ter mais um do meu lado e não contra mim. Essa é uma coisa que facilitaria muita coisa, acredito. Se tivessem menos orgulho e parassem de pensar racionalmente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, tudo tem um limite. Não chagarei ao ponto de lamber os pés e abanar o rabo pra ninguém.&lt;br /&gt;“Tá com rancor? Não quer facilitar? Não fala mais? Passa e não vê?&lt;br /&gt;Agora eu quero que você exploda! Haha.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí se conhece a pessoa. Onde se tira a máscara e enxerga no fundo dos olhos a alma. E vê que esta alma não é afinal de contas tão brilhante assim. Na verdade, ela ofusca e disfarça. Eu já estou calejado disso, e então me torno arrogante e indiferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amigos, quero vocês sentados na mesma mesa que eu, tem cadeira e bebida pra todo mundo. Mas se não quer sentar eu te convido novamente. Insisto mais um pouco, até me tornar chato. Ainda não quer? Tudo bem, minha mesa é aquela, quando quiser venha. Se teu orgulho for maior que minha dignidade, quero que sente em outra mesa, vai ter cadeira sobrando, mas não é mais para você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudação a todos&lt;br /&gt;Jorgin, O Maneiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-732944754644028452?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/732944754644028452/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2008/04/conhaque-mel-e-limo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/732944754644028452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/732944754644028452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2008/04/conhaque-mel-e-limo.html' title='Conhaque, Mel e Limão'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-8591086280288976690</id><published>2008-04-16T01:28:00.001-03:00</published><updated>2011-01-05T02:58:43.277-03:00</updated><title type='text'>Amor e Pastel</title><content type='html'>Acabei de assistir um documentário da Discovery chamado “A Verdadeira História de Chernobyl” e agora estou escutando o álbum da banda pernambucana Mula Manca &amp;amp; A Fabulosa Figura, chamado Amor e Pastel datado de 1997. Este álbum trata de um típico drama entre casais que se separam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que floresce quando um casal está prestes a se separar?&lt;br /&gt;Num instante, dor, saudade, morte.&lt;br /&gt;O casal chora, jura, penitencia... Noutro instante, o casal ri da vida, como de um belo e épico espetáculo dramalhão.&lt;br /&gt;Basta se distanciar um pouquinho e dá uma vontade de rir.&lt;br /&gt;Amor e Pastel é só mais uma novelinha comum, dessas que a gente prevê ospróximos capítulos e torce por um final feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Êta vida besta, meu Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir disso comecei a delirar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As relações humanas são hilárias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os humanos só se relacionam com um objetivo: sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só se estuda e trabalha para ter sexo, só vai ao cinema para ter sexo, só lê um livro ou vai a um show para ter sexo, só se compra roupa nova ou vai ao salão em busca de sexo, enfim. O mundo acaba girando em torno do sexo. O que não é essencialmente ruim, nem exatamente bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas qual seria o problema? É uma questão de valores. E outra, o sexo além de um ato prazeroso tornou-se símbolo de status social. A diferença entre se comer uma ou outra pessoa é determinante. A freqüência, muito mais. Que diga aqueles que nunca trocaram fluidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comer uma miss é o sonho de muita gente, enquanto a feinhas ficam à margem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As feinhas são feinhas por que são feinhas, oras. Mas geralmente são mais agradáveis. Pois feiúra e sabedoria, quando juntas, são fortes candidatas a algo superior. Além disso, partindo do outro ponto de vista, as gostosas na adolescência, quando crescem engordam – fato. As feinhas magrelas ficam com a peteca na mão, elas estudam, ficam brotos legais e tem bons empregos, enquanto a antiga gostosinha ta dobrando calças de uma penca de filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia estava num bar, quando um amigo angustiado com essas relações humanas soltou essa: “Mulher gosta de duas coisas: compreensão e pênis, só que mais de pênis”. Hilário isso. Ri que chorei. Mas com um pouco do sobriedade nota-se o quão trágico é, é sabido que não me importo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bar nos ensina muito. Só se vai ao bar em busca de sexo. Se vai beber com os amigos, está de olho no broto que passa, e flerta, e queixa, tenta, tenta... aquele papo de “meu amor”, “estou com saudades”, “te amo”, blá blá blá, me dá nojo. O maluco só quer sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu diga isso por que nunca consegui gostar mesmo de alguém. Aliás, já gostei uma vez há um tempo. E não era assim. Eu a via como algo elevado, típico daqueles poetas donzelos da segunda fase do romantismo. Não sei dizer se era bom ou ruim, sei que eu sonhava muito. Só era um sonho porque quando eu sonhava, sonhava com ela (depois disse pude perceber que ainda há um pouco de romantismo em mim). Mas quer saber se eu peguei? NÃO! Hoje ela está casada com um dos meus melhores amigos. Quer saber se eu ligo? Já liguei, hoje eu sou tão arrogante que não me importo. Eu acho que vou morrer só. Isso sim é trágico (ou não). Mas até lá eu fico aqui delirando com essa coisa legal, onde não escrevo pra humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fiz esse texto pra você que está lendo. Mal sei o motivo. É pela causa. Não estou triste, nem feliz, não sou inteligente, nem sei ao menos manter uma lógica dissertativa. Pois bem, mesmo assim fico feliz com o resultado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorgin, O Maneiro.&lt;br /&gt;Abraço fake.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-8591086280288976690?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/8591086280288976690/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2008/04/acabei-de-assistir-um-documentrio-da.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/8591086280288976690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/8591086280288976690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2008/04/acabei-de-assistir-um-documentrio-da.html' title='Amor e Pastel'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7213388744730514688.post-5543993124297974491</id><published>2008-04-13T21:39:00.000-03:00</published><updated>2008-04-14T23:40:35.986-03:00</updated><title type='text'>Memórias e Improvisos de Acadêmico Frustrado</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Agora são 2:34 da manhã, acabei de assistir Candy, um filme australiano do diretor Neil Armfielde e estou ouvindo Los Sebosos Postizos, membros da Nação Zumbi e Mundo Livre S/A reunidos tocando versões de músicas de Jorge Ben dos anos 60 e 70, título da música: Comanche.&lt;br /&gt;Assim... tipo... não sei porque tô fazendo isso, só sei que tô fazendo. Aliás eu sei.&lt;br /&gt;Primeiro porque tenho sérios problemas com insônia, segundo porque queria dividir minhas frustrações e delírios com alguma coisa ou alguém, sabe-se lá...&lt;br /&gt;Não sou bom com as letras, nem palavras. Não tenho idéias interessantes, e mesmo se tivesse não faria questão de dividi-las com algum humano, pelo menos é o que acho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conveniente seria primeiro eu me apresentar. Façamos como manda a regra, não por mim, mas pela causa.&lt;br /&gt;Batizado como Jorge (o pessoal me chama de Jorgin, O Maneiro), nascido no interior de Pernambuco e sobrevivente na capital de Sergipe. Curso engenharia, não sou inteligente ou intelectual – como queiram – e tenho poucos valiosos tesouros.&lt;br /&gt;O principal, sem sombra de dúvida é minha família (ou quase toda), apesar de não acreditarem devido minha grosseria e arrogância. Outro são os amigos – vou fazer uma pausa e esclarecer uma coisinha: parece ser tudo muito conveniente, comum e convencional, não me importo. Estes, raros e fiéis, estão sempre comigo, onde eu esteja, menos agora. Um tesouro recém-descoberto é a “liberdade” – suspiro –, ainda que parcial, por isso as aspas.&lt;br /&gt;Talvez devesse seguir a ordem e explicá-los a um a um, mas não vou fazer isso. Quem sabe, fica para a próxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do título.&lt;br /&gt;Memórias e Improvisos de um Acadêmico Frustrado. Você pode achá-lo coisa de pseudo-intelectual, interessante ou ser indiferente, não me importo, eu gosto. Pois bem, já foi dito que não sou bom com palavras ou idéias, então vamos aos fatos. Esse título saiu de duas influências, uma foi um documentário que assisti numa certa madrugada, “Memórias e Improvisos de Um Datilógrafo”. Parece ser meio trash, mas não é. A questão do Acadêmico Frustrado surgiu de um amigo, o trovador Matheus, que sempre se referia a isso.&lt;br /&gt;Notar e provar minha frustração é simples. Qualquer coisa que tenha um sistema nervoso perceberia. Mas a intenção não é exatamente essa. A intenção é mostrar como alguém realmente frustrado – não só com a vida acadêmica, se é que se pode chamar de vida, mas também com todo o resto – pode ter uma certa dose de alegrias gratuitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou absolutamente sóbrio enquanto digito isso sentado no chão esperando, com esperança, algum sinal de vida exterior. E por isso sou capaz de afirmar: “estou certo de que publicarei isso quando estiver em um estado de consciência elevado”.&lt;br /&gt;Poderia prolongar essa prosopopéia, mas vou parar por aqui. Depois vem mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços,&lt;br /&gt;Jorgin, O Maneiro.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7213388744730514688-5543993124297974491?l=jorginomaneiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/feeds/5543993124297974491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2008/04/9-de-abril.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/5543993124297974491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7213388744730514688/posts/default/5543993124297974491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jorginomaneiro.blogspot.com/2008/04/9-de-abril.html' title='Memórias e Improvisos de Acadêmico Frustrado'/><author><name>Jorgin, O Maneiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13257480683284882852</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://bp3.blogger.com/_p22-oPeN9Qc/SATzPI0Vh0I/AAAAAAAAAAM/BG7US9CCDBo/S220/bolorrollo06.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
